Os Jovens e a Política

Os jovens estão mais conectados que nunca, pois usufruem da internet. A comunicação entre jovens tem vindo a demonstrar-se cada vez mais flexível face à era em que nasceram: o Digital. Porém, continuam a ter menos trabalho, como têm vindo a demonstrar as taxas de desemprego registadas e estão mais vulneráveis, comprovando-se através da análise de risco de pobreza. Quando analisando este grupo etário, Portugal está ou na base ou no topo das estatísticas. Em apenas duas décadas, os jovens estão indiscutivelmente mais instruídos, comparativamente aos jovens do final do século passado, por exemplo. Há, sem dúvida alguma, mais jovens inscritos e a concluir os estudos do ensino secundário, o que antes não acontecia, uma vez que havia jovens a entrar no secundário, mas não na mesma proporção que hoje em dia e o abandono escolar era significativo. Adicionalmente, o interesse dos jovens pelo ingresso no ensino superior aumentou substancialmente com o intuito de dar continuidade aos estudos e se integrarem de maneira mais competitiva no mercado de trabalho. Uma vez concluída essa etapa, os jovens deparam-se com uma série de desafios na entrada no mundo de trabalho, que muitas vezes não conseguem resolver através dos próprios meios. Um estudo promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian concluiu que, em Julho de 2020, 40% da faixa etária dos 18 aos 34 anos ainda vive em casa dos pais e 55,7% são financeiramente dependentes da família. Ambos os valores destes indicadores demonstraram não só que Portugal é dos países europeus onde os jovens saem de casa dos pais mais tarde, como existe a elevada probabilidade de mais de metade destes jovens não o fazerem por falta de recursos, maioritariamente financeiros – sejam eles devido à baixa remuneração oferecida nos primeiros anos de trabalho exercido (na área de estudo ou não) ou simplesmente por não estarem a trabalhar. Logicamente, consoante a idade, as necessidades e vontades dos jovens sofrem alterações e é de fulcral relevância que estas sejam ouvidas de modo a que possam ser satisfeitas.

No que diz respeito à participação social, cidadania ativa e associativismo, existe um perfil padrão comum a muitos jovens, sendo este de desinteresse, apatia, descrença, descrédito ou até mesmo desilusão. Poucos são os jovens que consideram fazer trabalho voluntário ou que consideram a possibilidade de, no futuro, trabalharem num grupo em prol da comunidade onde vivem. Na rotina diária, poucos são também aqueles que procuram pegar num jornal para estarem informados dos assuntos que os rodeiam, bem como aqueles que se rejeitam a falar sobre assuntos sociais ou políticos. Através dos valores registados de abstenção, conseguimos verificar a relação existente entre os jovens e a política. Nas eleições do último ano 2019, tendo estas sido Europeias e Legislativas, a abstenção deste grupo etário registou, respetivamente, valores de cerca de 70% e foi também elevada, mas sem registo concreto de valores. Porém, a contínua reduzida afluência às urnas dos jovens não é de todo compensada pela sua participação noutras formas de atividade política. Tendo em conta os valores de abstenção que se têm vindo a registar, é de extrema importância agir junto dos jovens, de modo a que estes percebam o significado do seu direito ao voto e a necessidade de estarem envolvidos no que os envolve e afeta (não necessariamente diretamente), a política. De modo a que seja possível progredir, continua a ser importante dar ouvidos aos jovens do hoje, que se tornarão nos adultos de amanhã e em quem deverá produzir e gerar riqueza para Portugal.

Madalena Sampaio

Diretora Adjunta para a Juventude

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