Máscaras para Confinar o Vírus e NÃO os Portugueses!

É evidente que Portugal não pode continuar parado e temos que voltar ao trabalho. Mas primeiro há que tomar medidas urgentes. É o vírus SARS-CoV-2 que tem de ser isolado enquanto parasita que é, não os seres humanos. Claro que para vencermos a guerra contra este intruso, as pessoas têm de se proteger. Assim, cada cidadão deverá ter acesso ao seu equipamento homologado de proteção individual, cuja utilização será obrigatória até que exista uma vacina ou tratamento. Não basta decretar nem apenas esperar que o mercado funcione. É sobretudo para isto que deve servir o apoio para a Saúde decidido há uns dias no Eurogrupo.
Esta ajuda comunitária permitirá suportar um conjunto de medidas extremamente urgentes no âmbito sanitário, sobretudo a aquisição e produção massiva de “máscaras cirúrgicas” e viseiras que deverão ser imediatamente distribuídas pelas pessoas. Países que adotaram, desde logo, o uso generalizado de máscaras pela sua população, vão obtendo os melhores resultados nesta luta contra a pandemia. Em Taiwan, por exemplo, o governo distribui 3 máscaras por semana a todos os adultos (e 5 às crianças). No caso específico dos doentes de risco e profissionais de saúde, devem ser distribuídas máscaras descartáveis da classe PFF2 (Peças Faciais Filtrantes), enquanto que, nos cuidados intensivos, é necessário recorrer à classe de máscaras PFF3, bem com a fatos estanques e outros apetrechos. O contingente de profissionais “intensivistas” deve aumentar e há que alocar as necessárias verbas para o efeito.

Esta medida é tão importante no âmbito sanitário como no plano económico, na medida em que as pessoas têm de poder deslocar-se para recomeçar a trabalhar, sendo óbvio que o efeito de medidas estritamente económicas esgotar-se-á rapidamente.
Se o financiamento acordado no Eurogrupo for bem utilizado (são cerca de 4 mil milhões de euros para Portugal), poderá servir para atenuar o inexorável “trade-off” entre economia e saúde pública, permitindo a fabricação e distribuição, com caráter de urgência, de milhões de máscaras cirúrgicas e viseiras (desaconselhar a utilização de máscaras pela população é arrepiante, sendo apenas compreensível perante o fundado receio de que estas não cheguem para suprir as necessidades dos profissionais de saúde). Tais novos equipamentos de proteção individual devem ser de uso obrigatório para todos aqueles que circulem ou entrem em Portugal (quem chega a Portugal deverá fazer um teste para diagnosticar a presença do vírus e usar uma máscara quer fique ou não em quarentena). Estou convicto de que a obrigatoriedade de usar máscara é imperativa, justificando-se mesmo a existência de multas e penas agravadas para os indivíduos prevaricadores, pelo menos enquanto não estiver disponível uma vacina verdadeiramente eficaz ou alcançarmos a chamada “imunidade de grupo”.

As informações a que vamos tendo acesso indicam que, nos próximos meses ou anos, deveremos travar várias batalhas contra hordas sucessivas (vagas da pandemia) de invasores microscópicos capazes de se camuflarem nos nossos organismos, durante dias ou semanas, sem induzirem qualquer tipo de sintomatologia. Infelizmente, precisamos de tempo para que os cientistas desenvolvam defesas ou escudos globalmente eficazes contra tão temível inimigo, sendo evidente que a população não poderá passar todo este tempo entrincheirada em casa e considerará indispensável ter máscaras disponíveis para circular e trabalhar com níveis aceitáveis de segurança. Na ausência destas proteções individuais, a situação poderá piorar bastante em termos sanitários, económicos e sociais.

Felizmente que Portugal beneficia agora de um considerável apoio comunitário específico para a área da saúde. Com este impulso acrescido, devemos unir-nos em torno do grande desígnio nacional de proteger os portugueses, porventura reconvertendo algumas fábricas da indústria têxtil (e.g. no Vale do Ave), para assegurar, durante as próximas semanas e meses, a produção doméstica de centenas de milhões de máscaras descartáveis.

Não podemos ficar dependentes de terceiros numa matéria tão importante para a Saúde Pública e a Economia.

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