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OPINIÃO Montijo, Alcochete, Alverca? Beja!

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O novo aeroporto de Lisboa já existe em Beja? Para um leigo na matéria como eu, parece óbvio que Beja oferece uma solução imediata e integrada na alta velocidade: Lisboa-Sines-Beja-Évora-Madrid.

A utilização do aeroporto de Beja no resgate dos portugueses de Wuhan e para a Cimeira dos Amigos da Coesão recolocaram Beja no mapa. De pequena cidade do interior, passou a ser conhecida com a única com aeroporto capaz de receber o A380, o maior avião de passageiros do mundo.

O aeroporto de Beja opera desde 2011 e custou 33 milhões de euros. Está desde então quase sem atividade. De parque de estacionamento de aviões, regressou momentaneamente à sua função de aeroporto.

Da Praça Marquês de Pombal, em Lisboa, pela Ponte 25 de Abril, ao aeroporto de Beja são atualmente 172 quilómetros, boa parte dos quais pela autoestrada A2. Segundo o Google Maps, demora uma hora e 42 minutos, o mesmo que os 85 quilómetros do aeroporto de Beauvais a Paris. Os últimos 50 quilómetros até Beja são feitos pelo IP8. Se o percurso for feito pela Ponte Vasco da Gama até ao Parques das Nações, a distância e a duração da viagem são iguais.

A RAVE mandou realizar ao longo dos anos vários Estudos de Procura e Mobilidade para análise do custo-benefício do eixo Lisboa-Madrid, e ainda dos impactos do empreendimento da Terceira Travessia do Tejo ao nível da mobilidade e acessibilidades na área de influência do projeto. Realizou também o Estudo de Mercado e Avaliação Socioeconómica e Financeira da Ligação de Alta Velocidade Madrid-Lisboa/Porto e do Eixo Porto-Vigo. Estes estudos e outros, segundo o site da Infraestruturas de Portugal, foram realizados entre 2004 e 2009, ou seja, antes da construção do aeroporto de Beja.

Em 2018, a Comissão Europeia considerou a ligação de alta-velocidade Sines-Lisboa/Madrid como um dos projetos prioritários a nível europeu que deveria estar concluído até 2030 com velocidades acima dos 250km/hora. No mesmo ano, o Tribunal de Contas Europeu (TCE), considera um falhanço na rede transeuropeia de transportes, a ligação ferroviária de alta prestação planeada entre Sines – Lisboa e Madrid (437kms), com passagem da fronteira em Elvas.

Em 2018, o Governo de António Costa anuncia o concurso para a construção do comboio de alta velocidade do troço entre Évora e Elvas, numa extensão de quase 100 km e o começo dos trabalhos do troço Elvas-Caia, mais 11 km.

Segundo o jornal “Sol”, a obra de construção da nova linha deveria iniciar-se até março de 2019 e a conclusão estava prevista para o primeiro trimestre de 2022, num custo de 509 milhões de euros (quase metade provenientes de fundos europeus). Segundo a imprensa, a ligação encontra-se em construção entre Évora e Caia (Elvas) e em fase de planeamento no que concerne ao troço Lisboa-Évora.

Beja fica a cerca de 100 quilómetros a leste de Sines e a cerca de 50 quilómetros a sul de Évora. Considerando que o comboio atingiria 250 quilómetros por hora, a distância entre Lisboa e o aeroporto de Beja seria percorrida em apenas cerca de 40 minutos. O metro de Picadilly Circus a Heathrow demora 47 minutos. Segundo a imprensa, o acréscimo na distância a Madrid seria inferior a 50 quilómetros.

Beja apareceu referida no traçado Évora-Faro na Cimeira Luso-Espanhola na Figueira da Foz, em 2003. Hoje é claro que essa linha não faria sentido. Todavia, a circunstância atual é muito diferente. Há um aeroporto em Beja e, aparentemente, Lisboa precisa de despejar mais turistas no Chiado. Com a construção do novo terminal Vasco da Gama em Sines a ideia de incluir Beja no traçado faz sentido desde que integrada no traçado para Madrid.

Pergunta: o novo aeroporto de Lisboa já existe em Beja? Há algum estudo recente que considere Beja incluída no traçado Lisboa-Sines-Évora-Madrid? Para um leigo na matéria como eu, parece óbvio que Beja oferece uma solução imediata e integrada na alta velocidade: Lisboa-Sines-Beja-Évora-Madrid. A economia da região seria muito beneficiada com Beja como hub de transportes internacionais. Lisboa ganharia um novo aeroporto sem impactos ambiental, social e económico nefastos nas margens sul ou norte.

Nota: Não, não tenho qualquer tipo de relação com Beja nem com o Alentejo. Sou alfacinha.

Nuno Cintra Torres

Fonte: Jornal Económico

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