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O mesmo povo

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Barack Obama foi eleito pelo mesmo povo que elegeu Donald Trump. Escrevo este simples aide-mémoire porque os teóricos do politicamente correto e/ou os “mais inteligentes do que os outros” da nossa praça pensam, sentem e divulgam o seguinte: antes, que o povo americano era surpreendente e até um povo interessante, ao fim e ao cabo também eles explorados e lá tinham eleito o primeiro Presidente afro-americano; depois, o povo americano voltou a ser algo inculto, impreparado, a tal ponto que viabilizou a eleição de Donald Trump. Trocando por “miúdos”, o povo americano era inteligente quando elegeu Barack Obama e passou a ser estúpido quando elegeu Donald Trump. O povo é o mesmo, e convém até recordar que a maioria dos eleitores, em 2016, votou por Hilary Clinton, tendo sido o sistema eleitoral americano a transformar essa minoria de votos em maioria de mandatos no colégio eleitoral.

De qualquer modo, estamos agora perante uma nova eleição, e sucedeu que o discurso da união foi no dia seguinte ao primeiro dia de votação das primárias, no Iowa, para as presidenciais do final deste ano. E aconteceu que essa votação nas primárias do partido democrático foi o caos enquanto o discurso de Donald Trump foi excelente.

Independentemente das simpatias de cada um, o facto é que Donald Trump teve uma grande prestação no congresso, a mesma instituição que tem estado a discutir o processo de “impeachment” do Presidente dos EUA. Donald Trump não se mostrou minimamente afetado com o facto, e teve até a “sorte” de a presidente do Senado, que tem aparecido a liderar esse processo, ter resolvido “pagar” o facto de Donald Trump não a ter cumprimentado com o rasgar acintoso das folhas do discurso presidencial. Nenhum dos gestos foi simpático ou cortês, mas não foi isso o principal da noite.

O principal foi que Donald Trump optou por falar diretamente aos cidadãos, apresentando os excelentes resultados económicos e sociais da sua governação. Falou também do que ele considera serem excelentes resultados políticos, nomeadamente a inversão do declínio do papel do seu país no mundo. Mas isso é, naturalmente, mais subjetivo. Agora, são reais os factos que Donald Trump enunciou sobre o crescimento económico, sobre o desemprego, sobre os progressos sociais das diferentes comunidades rácicas, sobre a evolução das bolsas de valores nos Estados Unidos, entre outros indicadores que são os melhores de sempre, ou batem recordes de décadas e, principalmente, são positivamente impressionantes quando comparados com a anterior Administração.

Pessoalmente, entendo que Barack Obama teve uma ação positiva nalguns domínios e a sua eleição foi politicamente importante, naquele momento histórico, para o seu país e para o mundo.

Por outro lado, considero também inegável que Donald Trump tem conseguido grandes resultados económicos e procuro compreender a sua linha de reafirmação e valorização do lugar que os EUA ocupam no contexto internacional. Politicamente, estarei algures entre os dois e, não quero ser parcial quando afirmo que me choca a falta de isenção no modo como é sempre seguido e avaliado por muitos setores aquilo que é feito pelo atual ocupante da Casa Branca.

As sondagens põem Donald Trump no topo da popularidade, superior à que o seu antecessor tinha em circunstâncias equivalentes. E é curioso que cada vez mais se vaticine que só Michael Bloomberg lhe poderá fazer frente, com o poder da sua grande fortuna.

Vivemos num Mundo que se preocupa mais com a destruição e a maledicência do que com o reconhecimento e o elogio. De qualquer maneira não se trata aqui de elogio, mas tão-só de reconhecer que Donald Trump tem conseguido resultados muito assinaláveis no plano interno e uma certa recuperação do poder internacional desse nosso grande aliado. Como não ignoro que, sendo uma personalidade complexa e com atuações muitas vezes contraditórias, tem feito questão de sublinhar e defender valores que são importantes para a civilização ocidental. Como referi, nunca fui especial simpatizante da sua personalidade política, mas sou muito simpatizante de um valor tantas vezes esquecido: a verdade. Se os seus adversários o quiserem derrotar é melhor, como sempre se deve fazer, que lidem com a realidade: Donald Trump vai ser muito difícil de derrotar.”

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Pedro Santana Lopes

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