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A fraquíssima qualidade da gestão portuguesa

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Que superioridade moral tem este Governo que nomeia padeiros sem currículo académico ou com currículo falsificado para funções de assessoria em gabinetes ministeriais para vir falar em qualidade de gestão?

Dizia há dias o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros, em plena Universidade de Coimbra, que as empresas portuguesas tinham uma gestão de “fraquíssima qualidade”.

Lamento muito ter de dizer que tal afirmação quanto à qualidade da gestão nas empresas nacionais não é inteiramente falsa. Sim, é realmente verdade que muita gente que exerce funções de gestão, sobretudo em grandes empresas, deixa muito a desejar quanto à qualidade. Essencialmente por força das suas reais capacidades para um bom desempenho.

É, aliás, dramático que certas empresas não percebam que por vezes não conseguem melhores resultados (quantitativos e qualitativos) por causa de certos quadros que tendo poderes intermédios de gestão, bloqueiam tudo o que entendem ser-lhes pessoalmente prejudicial, nomeadamente por se sentirem – nalguns casos justamente – inferiores àqueles que hierarquicamente lideram.

Talvez a enraizada cultura da ‘cunha’ seja uma das razões para que tal aconteça. E se formos ver quem são alguns dos tais “fraquíssimos” gestores de empresas e que ligações familiares têm com os não menos básicos titulares de certos cargos políticos, possamos desvendar rapidamente a origem de toda essa mediocridade…

Se no mundo empresarial existe fraca qualidade de gestão e isso incomoda, legitimamente, um governante do calibre de Augusto Santos Silva, o que dizer então da qualidade do poder político português em geral e, em especial, do Governo de que faz parte o ilustre Ministro?

Esqueceu assim tão depressa o titular do MNE que é Ministro do GOV 70, o maior Executivo da nossa história enquanto Estado-nação?

Olvidou, porventura, que nos últimos quatro anos multiplicaram-se casos de nepotismo e de cunhas familiares indoor e outdoor com ligações conjugais, entre outras, a vários membros do Governo, bem como, adjudicações directas de múltiplas contratações públicas feitas pelo Estado a empresas constituídas na hora (graças ao fraudulento simplex) e detidas por gente ‘lá de casa’, numa espécie de programa ‘member get member’ ou ‘família & amigos’?

Que superioridade moral tem este Governo que nomeia padeiros sem currículo académico ou com currículo falsificado para funções de assessoria em gabinetes ministeriais para vir falar em qualidade de gestão?

Confesso que, legitimamente, incomoda-me muito mais o calibre deste Ministro do que qualquer fraca qualidade de gestão empresarial privada.

Augusto Santos Silva foi um fervoroso militante da delinquente liderança socialista e participante do pior Governo da nossa história democrática. Este senhor é um dos rostos que levou Portugal à falência técnica e que nos fez pagar os desmandos de tão fraquíssima qualidade de gestão daquele Governo de que fez parte até ao último dia!

Sobre qualidade de gestão, creio estarmos conversados. Mas aprofundando o tema, faz-me realmente muita impressão ver o poder político do meu país de forma generalizada – salvo algumas honrosas excepções -, conformado com a falta de talento e de inteligência e ausência total de ideias com que diariamente actuam ao serviço de Portugal quer nos Governos ou nas oposições, quer mesmo até, em vários momentos, na Presidência da República.

É muito triste e enfadonho constatar que a acção política exercida por tanta e tanta gente da classe política nacional se resume a uma espécie de gestão de mero expediente. Sem o rasgo nem a arte que se esperaria de quem exerce tais funções políticas. E sem o pudor de usar como suas as ideias de outros relativamente às quais e a quem se opuseram de forma primária…

Estadismo e ambição é o que falta verdadeiramente a Portugal e à nossa classe política. E não é com estes políticos de trazer por casa que em nada se distinguem daqueles outros populistas de causas únicas, fracturantes e iníquas que o país terá futuro.

Chegados a 2020 é agora o momento da verdade democrática.

Quem serão os políticos do nosso tempo com ambição de fazer o que deve ser feito para que nos possamos orgulhar de nós próprios enquanto povo português?

Quem quererá realmente ficar marcado, por boas e nobres razões, na história da evolução política, económica, social e cultural do nosso país?

Para onde queremos caminhar colectivamente?

Que futuro pretendemos construir?

Como vai ser planeada a nova década de 20? Quais as prioridades? Saúde? Educação? Justiça? Transportes? Sistema político, organização do Estado e divisão administrativa do território? Transparência e combate sem tréguas à corrupção?

São estas as perguntas que interessam e que o poder político tem de saber dar resposta se quiser ter o apoio convicto das pessoas!

Manuel Guerreiro

fonte: jornal i

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