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Eutanásia

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Em tempos idos, certas tribos africanas, que viviam da recoleção e da caça, tinham por tradição abandonar à sua sorte os elementos que deixavam de ter utilidade para a comunidade, concretamente os deficientes e os idosos. Certo dia, mais um idoso que havia deixado de ser útil e se transformara num peso para a comunidade, foi conduzido pelo filho para o monte, onde haveria de ser deixado para morrer. Quando estava prestes a ser abandonado, o pai disse ao filho “deixa-me um pouco mais acima, foi onde eu deixei o meu pai”. O filho ao refletir nas palavras pai, terá pensado que não era esse o destino que queria para si e resolveu levá-lo de volta para a comunidade, que cuidaria dele até ao fim da vida.

Hoje, em nome de ideais progressistas misturados com um certo liberalismo, discute-se se o individuo pode decidir quando e como morrer, num primeiro enquadramento face a doenças incuráveis e/ou sofrimento continuado, num segundo momento será apenas em função da utilidade versus estorvo do individuo para com a sociedade. O suicídio existe e cada individuo é livre de o executar, mas o mesmo deve ser prevenido e combatido, e moralmente condenado. Voltando à Eutanásia, aquilo que começará por ser uma liberdade individual, possivelmente com muitos apoiantes, passará por ser um dever, que a sociedade vai impor a quem está em condições de o pedir, quer queira quer não.

Vejamos uma pequena história: um individuo em idade avançada está numa cama, perfeitamente lúcido mas fisicamente incapacitado. Certo dia, morre um seu conhecido e, como é normal, os familiares relatam o seu falecimento. Divagando sobre o assunto, até para aliviar a tristeza sobre a perda do conhecido, acabam por concluir que foi uma graça de Deus, que o falecido estava a dar muito trabalho e despesa à família e que estaria em sofrimento. Noutro momento, outros familiares visitam o nosso idoso, este, que estava perfeitamente lúcido, perguntou pela causa da morte do seu conhecido, tendo-lhe sido respondido que havia pedido a Eutanásia. Moral da história, o acabou por acontecer foi dizer a este senhor que, se for boa pessoa, se prezar o bem da sua família, é seu dever também pedir a Eutanásia.

É certo que a discussão em torno da Eutanásia irá acontecer, essa discussão deve servir para a afastar definitivamente, pois comporta grandes perigos para a nossa sociedade, talvez o maior retrocesso civilizacional. As alternativas que importa aprofundar e desenvolver serão os que visem proporcionar maior dignidade no fim da vida e apoio aos seus familiares, passando pelos cuidadores, apoio domiciliário, centros de dia, lares, centros cuidados continuados e cuidados paliativos.

Paulo Sousa

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