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A necessidade de dinamizar a CP e a ferrovia portuguesa

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Todos os anos as empresas públicas de serviços e transportes lançam relatórios resumindo todas as informações relevantes para os utentes e o saldo anual. E todos os anos sai sempre a mesma notícia, só mudando alguns algarismos e a data, “O grupo CP – Comboios de Portugal registou um prejuízo de 55,3 milhões de euros no primeiro semestre de 2018”. É uma das mais antigas tradições portuguesas, o lançamento do inevitável relatório de contas para mais um ano de prejuízos. 144 milhões de euros em 2016, 112 milhões de euros em 2017, 105.6 milhões de euros em 2018. Apesar de haver uma descida dos prejuízos nos últimos anos continua a ser inacreditável como a empresa que detém o monopólio de comboios de longo curso e duas das linhas mais usadas diariamente em Portugal consiga ter um buraco financeiro tão grande. Mas em sentido contrário aos prejuízos, as queixas por parte dos utentes têm vindo a aumentar, muito por causa da sobrelotação de comboios, atrasos e supressões dos mesmos, numa rotina que é familiar para tantos portugueses.

No entanto não parece haver solução à vista. A falta de material e de trabalhadores especializados para reparar as locomotivas continua a assombrar a empresa e o Estado vê-se obrigado a injetar dinheiro para tentar cobrir os prejuízos da CP. Ao contrário da rodovia portuguesa, que está guarnecida de boas estruturas para transporte e exportação de bens, a ferrovia está num estado lastimável, e, referindo uma das várias noticias sobre o deterioramento das linhas – “Quase 60% das linhas de caminhos-de-ferro portuguesas são classificadas pela Infraestruturas de Portugal como ´medíocres` ou ´más` no que diz respeito ao seu índice de desempenho, de acordo com o Relatório do Estado da Infraestrutura de 2016 daquela empresa.”

A empresa ferroviária mesmo não tendo competição nas linhas em que percorre consegue ter desempenhos medíocres e não tem meios para melhorar a qualidade dos serviços. Desde do início de Outubro tem-se registado cada vez mais supressões, muitas delas em hora de ponta. Isto leva a um acumular de tensão entre os utentes que algumas vezes “libertam” essa tensão entre si causando transtornos e mais atrasos. É necessária uma revisão de todo o sistema ferroviário português, pensar na substituição de várias locomotivas que percorrem linhas regionais e introdução de empresas “rivais” de maneira a competir com a CP. Um caso análogo são as diversas empresas rodoviárias que competem entre si nos percursos de longa duração, o que leva a uma melhoria progressiva do serviço e não havendo assim um monopólio estatal

Pedro Campina

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