Início Aliança “Tudo Para Todos!” ou “O Melhor De Cada Um…”?

“Tudo Para Todos!” ou “O Melhor De Cada Um…”?

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Na era industrial, é muito mais barato produzir, rapidamente e em série, uma coisa de cada vez. Quem o consegue fazer, melhor do que os demais, obtém uma posição dominante no mercado. Assim, muitas empresas começam por ser “monoproduto”, produzindo e introduzindo um único produto no mercado. No caso de um novo partido, também é mais fácil começar por ser “monocausa”, apresentando uma única ideia, que seja considerada simpática e esteja na moda. Assim, há um partido que começou por ser apenas “verde”, mas que hoje também é vermelho, e outro partido, que sendo hoje apenas “dos animais”, também poderá vir a ser cor-de-rosa… No fundo, um posicionamento específico facilita o esforço de marketing, permitindo a massificação bem-sucedida de produtos e ideias. 

À medida que as empresas crescem, vão produzindo novos produtos para obter mais clientes. Quanto aos partidos, diversificam as suas promessas eleitorais e desenvolvem slogans, visando criar as expectativas necessárias para conquistar novas faixas do eleitorado. Infelizmente, certos partidos, cujas políticas se baseiam em doutrinas condenadas nos anais da história, como o fascismo ou o socialismo, continuam a oferecer falsas esperanças, que primam pela incoerência, derivando, ou para o populismo, ou para a patética promessa eleitoral do “TUDO PARA TODOS!”. 

Em Portugal, na presente legislatura, a tríade dos principais partidos de esquerda, levou esta incoerência até um novo e surpreendente patamar, formando a oportunista “geringonça”. Aproveitando o vantajoso declive criado por uma conjuntura internacional favorável, esta aberração política ganhou o balanço necessário para ir rolando, indisfarçável, mas silenciosamente, até às eleições do próximo domingo. Obviamente, no final deste suave declive, todos viveremos o choque, bem real, entre este prolongado artifício político e a dura realidade.

Apesar de estarmos em plena e acelerada transição, da era industrial para a era digital, a verdade é que os líderes políticos não têm demonstrado ter “pedalada” para acompanhar o ritmo desta evolução. Até mesmo os líderes de partidos que têm defendido, durante décadas a fio, doutrinas com provas dadas em democracia, ou não compreendem as consequências desta mudança, ou pensam que o futuro digital só chegará daqui a muitos e bons anos. Enganam-se redondamente.

São raros os líderes visionários… Num recente debate televisivo, entre um António Costa demagogo e um pacato Rui Rio, este último, salientou, que o capitalismo evoluiu para pior, referindo, existirem muitos setores onde não há concorrência. Como solução, Rui Rio observou que “temos de ter uma regulação a sério”. Ora, se é verdade que o diagnóstico está correto (o capitalismo herdado da era industrial é iníquo, pois só favorece quem tem dimensão), também não é menos verdade que a solução apontada por Rui Rio está completamente errada. A preconizada regulação só iria aumentar o problema, em vez de o resolver. Na era digital, uma “regulação a sério”, acabaria por limitar o acesso a redes e aplicações, castrar a inovação e proteger, direta ou indiretamente, “coutadas” cada vez maiores nos oligopólios do costume. Este grave equívoco, vindo do líder de um partido que tem prestado um bom serviço à democracia, é um bom exemplo de como não se deve persistir na lógica competitiva da era industrial. Já lá vai o tempo em que as economias de escala eram decisivas, e os custos de transação (1) tão elevados, que impediam os pequenos de competir. Atualmente, tais premissas não se verificam, e este raciocínio está errado.

As novas redes digitais, capacitadas com a tecnologia “blockchain”, baixam, decisivamente, as barreiras à entrada nos negócios, pois diminuem os custos de transação e obviam os custos de agência (2). Viabilizando parcerias estratégicas mais confiáveis, e a emissão de “criptomoedas”, que permitem aos empreendedores financiarem os seus próprios projetos (sem dependerem de quaisquer intermediários financeiros), este novo ambiente económico, tão propício à inovação, constitui o maior garante de uma concorrência saudável. Na verdade, só a inovação, acelerada pela digitalização, impedirá a formação de oligopólios e monopólios, que são hoje potencialmente mais nefastos do que na era industrial. Também por esta razão, nunca foi tão crucial defender um ambiente económico aberto e colaborativo, em mercados onde a livre iniciativa não possa ser constrangida. Na era digital, um computador portátil é equivalente a uma unidade de produção, e um “smartphone” é equivalente a um banco (não me refiro às aplicações que são meros terminais bancários, mas sim a novas aplicações, de “criptomoedas”, que são equivalentes a um banco completo!). 

Para termos a certeza de que, na era digital, “O MELHOR DE CADA UM” reverterá a favor das pessoas, devemos garantir, a todos os indivíduos, uma completa liberdade de acesso à Internet, em total privacidade. É fulcral que as redes digitais estejam sempre à inteira disposição das mentes mais criativas e dos melhores empreendedores, sendo que a tal “regulação a sério”, preconizada por Rui Rio, iria não só travar a prosperidade, mas também aumentar o controlo do estado sobre os cidadãos (ao limitar a privacidade), acabando por comprometer a própria democracia. Engana-se quem pensa que as melhores inovações ainda terão origem num conhecimento confinado às quatro paredes da empresa, e que a competitividade continuará a resultar da criação de barreiras, regulações e registos de patentes. Nas premonitórias palavras de Manuel Castels, “o essencial é que agora todo o planeta está conectado. Consequentemente, a rede é uma realidade generalizada para a vida quotidiana, as empresas, o trabalho, a cultura, a política e os meios de comunicação. Entramos plenamente numa sociedade digital (não o futuro, mas o presente) e teremos de reexaminar tudo o que sabíamos sobre a sociedade industrial, porque estamos em outro contexto” (3). 

Compreendendo isto, facilmente se percebe que o liberalismo é ainda mais vantajoso na era digital (por oposição ao conservadorismo), sendo que a pluralidade de ideias e de sensibilidades, se transformou numa enorme mais-valia em termos político-partidários. Devo, aqui, louvar o poder de antecipação e a visão estratégica do líder da Aliança, quando decidiu fundar um partido de Aliados e não de meros seguidores. A diversidade de pensamentos e de pontos de vista, por parte de pessoas que, embora estejam unidas em torno de princípios comuns, não perderam a sua individualidade nem a capacidade de contribuírem, com a sua própria inteligência, para que a Aliança possa propor as melhores soluções (o nosso programa eleitoral é uma prova viva disto mesmo), mostra bem como a Aliança é o partido mais preparado para ajudar Portugal a singrar na era digital. É, pois, caricato, que a pluralidade de ideias em que fervilha a Aliança, seja apontada, por alguns, como um grave defeito. Isto é realmente irónico, pois tal plasticidade decorre, precisamente, do facto de a Aliança ser o primeiro partido a conseguir tornar-se poroso à inteligência das pessoas. Ao contrário do que alegam esses críticos, esta particularidade da Aliança não implica qualquer contradição, sendo sim, um sinal inequívoco de pujança política na nova era digital. 

Por último, mas não menos importante, queria deixar uma nota para aqueles que consideram que o liberalismo é incompatível com a solidariedade. Nada mais falso do que este preconceito. Aliás, acredito muito mais no tipo de solidariedade viabilizado pela prosperidade individual e pela ação coletiva (que é  muito diferente de coletivismo), do que na solidariedade proveniente de um estado paternalista (isto é óbvio para animais racionais e irracionais, pois nenhum animal, com algum juízo, trocaria a casa de um Aliado por um canil público, ou pelo SNS do PAN…). Portanto, uma Aliança absolutamente liberal na economia, criará, simultaneamente, as condições necessárias para uma absoluta solidariedade, das Pessoas e para as Pessoas!

Notas e Referências:

1 – “Custos de transação são gastos incorridos na compra ou venda de um bem ou serviço. Os custos de transação representam a “mão-de-obra” necessária para levar um bem ou serviço até ao mercado, dando origem a setores inteiros que se dedicam [“apenas”] a facilitar trocas.”. Tradução livre do texto disponível “on-line” em https://www.investopedia.com/terms/t/transactioncosts.asp, acedido em 18/09/2019.

2 – “Custos de agência são gastos proveniente das ações de um agente que atua em nome de um cliente ou mandante. Os custos de agência geralmente tornam-se notórios na sequência de ineficiências, insatisfações e interrupções essenciais, como conflitos de interesse.”. Tradução livre do texto disponível “on-line” em https://www.investopedia.com/terms/a/agencycosts.asp, acedido em 18/09/2019.

3 – CASTELS, M. (2008). A sociedade em rede. v. 1. São Paulo: Editora Paz e Terra.

Dario de Oliveira Rodrigues

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