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O Mundo Rural e a Caça: 2 faces da mesma moeda e de Economia Circular

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(Nota: não há fotos das minhas fontes, por motivos inaceitáveis num país que se diz democrático e livre).

O Envelhecimento do Nordeste Transmontano é uma evidência e não vale a pena chorarmos sobre o leite derramado, centrando o nosso foco nas evidências. O importante é centrá-lo nas soluções. O Mundo Rural necessita urgentemente de um outro olhar que não pense só nos votos que o distrito tem, ou não, e que comece a ver as pessoas, não como um número ou estatística, mas sim como uma mais-valia e oportunidade de dar ao mundo, um mundo melhor. 

É necessário e urgente fixar gente mais nova e com mais competências e desenvolver actividades com mais valor acrescentado.

A solução, entre outras, passa, pela coesão territorial e no mundo rural transmontano, pelo emparcelamento, de forma a criar dimensão nas explorações e mais acompanhamento técnico. Nós não somos o Alentejo, pelo que precisamos de outro tipo de medidas.

Aquilo que pude constatar no dia de hoje e sentir é que as entidades responsáveis (agricultura e afins), não sai para o terreno para apoiar os agricultores, e por outro lado os apoios para novos projectosesgotaram-se e há muito que as verbas disponíveis deixaram de existir.

A título de exemplo deixo o que mais mexe com a nossa economia e que podia ser (se melhor e mais explorado), a maior factor de desenvolvimento. Refiro-me claro ao Ouro Transmontano: A Castanha. Na Castanha entronca quase todo no nosso distrito. Aprendi, hoje, que os intermediários da castanha,estão a importar castanha da China e do Chile e a vendê-la como transmontana. Mais, acabam por não fazer mais do que isto, pois não sobem na cadeia de valor com a sua transformação. Limitam-se a entregar essa riqueza a países como a Itália e a França, optando pelo caminho mais fácil, concertando preços à produção na maioria dos anos sem qualquer intervenção da autoridade da concorrência, retirando riqueza aos produtores, que entre outras consequências acabam por diminuir indirectamente a sua capacidade de investimento, geração de riqueza e criação de emprego. Como vemos há soluções, mas para isso temos de ser mais empreendedores. 

Pegando na outra face da moeda temos a caça que enquadra perfeitamente em toda esta análise (desertificação, má gestão, emparcelamento territorial…) e que é sem sombra de dúvida uma solução e mais-valia (turismo, criação de emprego…), em termos de desenvolvimento e economia circular para a nossa região. Senão vejamos:

Sobre a Caça aprendi que começa logo mal pelo tipo de ordenamento que foi feito, e que entregou a sua gestão a pequenas associativas que têm uma enorme vontade, mas não têm capacidade para fazer o que quer que seja, pois estão muito condicionadas quer pelo emparcelamento, quer pelo local onde se encontra a associativa, quer pelas instituições e organismos públicos (tipo ICNF) que deviam ser os catalisadores do desenvolvimento local (que resultaria em nacional) e coadjuvantes dessas associativas e das pessoas do distrito de Bragança. É urgente que este modelo seja revisto para permitir uma gestão profissional assente numa maior dimensão das zonas de caça, o que permitiria desde logo fazer a vacinação, o controle de efectivos, a sua reintrodução (quando necessária), a alimentação com semeadas, a disponibilização de água, a preservação de rios, a limpeza de matas,etc.

Outro problema detectado é que o Estado e quem o governa praticamente não exerce qualquer fiscalização no terreno. Limita-se, somente eapenas, a pensar como pode impor mais impostos, subir licenças e introduzir outras taxas e alcavalas que acabam por ter um efeito perverso, e que tem levado a que nestes últimos 20 anos o número de Caçadores tenha reduzido para metade.

Deixo aqui um exemplo vivo do que podia ser a caça como factor de desenvolvimento e por outro lado como factor de saúde das populações. Aliás este aspecto está a descurar-se, devido a modas que ninguém compreende e que não encaixam naquilo que deve ser um paradigma perfeito: a proteção das pessoas, da natureza (animais) e da sociedade. Passo a explicar:

A caça para além de atividade turística de elevado retorno económico para os territórios rurais é também uma atividade promotora da preservação e conservação da fauna e flora autóctones, contribuindo para o equilíbrio dos habitats. 

Neste momento é preocupante a elevada população de javalis e de corços que povoam a área do Parque Natural de Montesinho, os quais têm provocado avultados prejuízos aos agricultores em diversas culturas, mas em particular os corços têm sido um flagelo para as plantações novas de castanheiros. 

É urgente a autorização alargada para a realização de montarias ao corço ou mistas (javali e corço), controlando espécies que são atualmente uma praga. 

A caça colocada ao serviço das populações rurais,dos agricultores e do nosso território/região, seria, sem dúvida alguma, garante de atractividade dos seus amantes. O nosso território disponibiliza um património cinegético ímpar que só carece de pessoas que assumam os seus deveres e funções (nos diferentes ministérios onde trabalham) e venham para o terreno ouvir as populações e quem entende do assunto e que a seguir implementem no terreno essas soluções em harmonia com a natureza e em prole da sustentabilidade dos ecossistemas, mas NUNCA sem descurar as populações!

Resumindo, a única verdade disto tudo é que os sucessivos governos até agora abandonaram e ostracizaram uma actividade compatível com o mundo Rural e que se traduzia numa actividadeeconómica com relevo, pois permitia num conceito de economia circular, promover o turismo e em simultâneo escoar outros produtos locais, que se podiam perfeitamente profissionalizar e rentabilizar, criando emprego e fixando pessoas, promovendo e dinamizando, também, o sector hoteleiro: dormidas, restauração…

Carlos Silvestre

Cabeça de Lista do Distrito de Bragança, pelo Partido Aliança

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