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O interior não é para coitadinhos

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Numa decisão responsável, mas talvez não muito sensata, resolvi pela primeira vez na minha vida, militar activamente num partido político. Porquê? Porque não consegui continuar a exasperar-me com o estado do meu país, sem tentar fazer alguma coisa. Não me perdoaria se ficasse só a ler, analisar e dizer mal. Ajudou muito nesta decisão o facto de ter filhos já crescidos e menos exigências familiares. O que por si já diz muito sobre a fraca presença das mulheres na política…

Quis o destino que viesse a integrar uma lista de candidatos à Assembleia da República, pelo distrito de Viseu, porque estou aqui a trabalhar actualmente. Na Beira Alta, região que eu já conhecia por ser a de origem de todos os meus antepassados directos conhecidos,.

No território tão querido pelo meu pai, que tristemente já não está aqui para me falar dele.
“Vamos lá a isto, pode ser que o meu trabalho possa ser útil ”, pensei. Na verdade o que tem sido útil é conhecer melhor a Beira Alta, o distrito de Viseu, os membros da minha lista, os sítios, pessoas e projectos que tenho conhecido. Não estou a ser justa. “Útil” não é a palavra certa. Tem sido uma escola, uma viagem, um bilhete premiado no sorteio da riqueza humana. Sou uma privilegiada por ter esta experiência. Todos os membros da minha lista trabalham. Só para citar alguns, o Joaquim é professor, o Ruas é advogado, a Diana é educadora social e bombeira, o Serafim empresário, o Veríssimo é funcionário público, a Inês é bancária, o Fernando técnico informático…uns tiveram já experiência política, e outros, como eu, não percebem nada de lides partidárias e vieram para arregaçar as mangas e tentar contribuir para um país melhor. O Pedro, cabeça de lista, dedica-se de alma e coração a palmilhar o Distrito todo. Se pudesse, iria falar com todas as pessoas que aqui moram e explicar-lhes porque acredita nas propostas da Aliança.
O amor destas pessoas por estas terras e o seu desapego relativamente a coroas e glórias têm sido a constatação do que deveria ser fazer política. Uma missão nobre que muitos pseudo-politicos estragaram, sujaram e envergonharam.

Mas ainda há muitos que a vêm tentar resgatar. Há que sacudir o pó, polir o brilho e empunhar a bandeira com orgulho.
Porque é um orgulho.


Estou a conhecer pessoas inteligentes, competentes, bem preparadas nas suas profissões, instituições e empresas. Corajosas, persistentes. Cooperativas, Câmaras Municipais, Associações industriais, PSP, GNR, produtores vinícolas, IPSS, empresas privadas,…Raramente se queixam do abandono a que foram votados pelo poder central, não esperam favores, e não pretendem mendigá-los. Antes aprenderam a construir a sua realidade, juntando-se, associando-se, trabalhando sem descanso, e aprendendo. Candidatam-se a fundos europeus, conseguem a sua aprovação, para depois lhes dizerem que não há verba disponível nos fundos. Porquê? Porque foram desviados para indemnizações pelos incêndios de 2017…quando essas indemnizações eram responsabilidade directa do Estado e deveriam ter saído do orçamento do Estado. Mais um golpe no desenvolvimento do Interior. E do país. Estas pessoas são orgulhosos e sabem bem o seu valor porque têm resistido a tanta e tanta coisa. Têm causas que reinvindicam há décadas, como a ferrovia, a IP3, a IC26, o regadio, …A dureza do abandono tem aguçado o engenho e resistência, mas convém não abusar..


Quando estas pessoas se juntarem todas, quando o Interior, norte, centro e sul, se unir e perder a paciência, não é o facto de estarem em desvantagem numérica que os vai impedir de bater o pé.

E quando baterem o pé, as cidades do Litoral vão perceber o quanto subestimaram as gentes do Interior…

Porque o Interior não é para coitadinhos.

Ana Paula Oliveira

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