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A continuação da instabilidade política como modo de vida para o nosso país, é isso que a esquerda defende nestas eleições.

1. Este Governo ficará na história da democracia portuguesa apenas como a experiência governamental que faltava para completar o quadro, tipo tubo-de-ensaio partidário em tempo de paz.

Não governou para o futuro, limitou-se a distribuir o pouco que sobrou de quatro anos de folga económica e de bom ambiente económico internacional.

E releva do puro lúdico político, ver a corrida nestas eleições sobre quem consegue demonstrar ter sido autor e abocanhar mais mérito perante a “obra” destes quatro anos.

O PCP, de mãos vazias e cada vez mais escassas “multidões”, vai procurando mostrar o que não tem: resultados seguros da sua influência no Governo e de benefícios sustentáveis para o futuro.

Sabendo que as “reposições” aconteceriam sempre com ou sem o PCP, com ou sem este Governo, arrisca-se a ser o sapo da história do escorpião no atravessamento do rio, na erosão do seu eleitorado: será bem feito pelo oportunismo do silêncio nos últimos quatro anos.

O mesmo se diga do BE, que num registo de arrogância transferida e que antes residia no PCP, fez da revisão de Lei de Bases da Saúde e da sobretaxa do IMI razão de vida.

O PS, depois de recusar esta extrema-esquerda, farto dela após quatro anos, despediu-a na campanha eleitoral com a esperança de cativar alguns votos do centro, mas sem ruturas no discurso com a esquerda, porque não se sabe o que aí virá.

Mas entretanto, Tancos pode ter arruinado quiçá a própria vitória eleitoral.

Curiosamente ninguém disputa a autoria das razões porque Portugal não cresce tanto como a Irlanda ou a Polónia, por que razão plausível, temos hoje mais dívida do que há quatro anos, porque estão piores os serviços públicos que há quatro anos.

Essa é herança sem dono.

Estes partidos já mostraram assim o que o país pode esperar: instabilidade política e governamental, ausência de preocupações com o Estado e o futuro do Estado, zero de preocupações com as empresas e a economia privada.

E dos outros partidos o que virá?

2. Andei anos a votar no PSD, que me assegurava a realização da defesa de ambições para o meu país e conduta política para mover Portugal do lugar aprazível onde se nascia, mas que de seguida obrigava a emigrar tantos na saudade da terra onde não tinha lugar a realização dos sonhos de todas as gerações: a felicidade das famílias e a realização pessoal.

E o projeto era simples.

Em primeiro lugar, a liberdade plena e a sua defesa, melhor vida hoje que no passado, mais perspetivas de progresso e desenvolvimento económico, prevalência da criação de riqueza para reforço das empresas e das famílias.

Estado como servidor e não usufrutuário do trabalho dos contribuintes para fantasias megalómanas de intervenção inadequada na economia, na educação, na saúde e na cultura, pela contração de mais e mais dívida externa e interna para alimentar clientelas partidárias.

Hoje, o PSD não preenche minimamente estas condições, apesar da performance de Rio nas últimas semanas.

Sem abuso ou grande esforço e com adequadas adaptações, os líderes de ambos os partidos que dominam o eleitorado central, o PS e o PSD, podiam trocar de posição entre eles na liderança de cada qual, que não brotaria qualquer vulcão do subsolo.

Disputam a sobreposição de visões da sociedade, com pequenas “nuances”, num mundo onde hoje o pensamento socialista ou social-democrata, é sinónimo de conservadorismo, impasse ou mesmo retrocesso das sociedades.

Ora Portugal não pode manter esta auto-satisfação de se contentar como um bocadinho melhor que os piores da zona euro no crescimento económico sufocando a cidadania com impostos em valores demenciais.

Portugal precisa de levar a cabo a realização do novo nome da revolução: o reformismo como preocupação permanente, para se adequar a uma nova visão do mundo moderno, pela coragem e pela determinação políticas.

Foi isso que um dia, em confissão mútua, encontrei em Pedro Santana Lopes, na comunhão sobre a realidade do velho onde estivemos, que já não seria capaz de responder e o novo que era preciso criar.

O tempo deste ano confirmou as razões.

Assim nasceu a Aliança de que sou também fundador.

Um novo projeto com um programa detalhado para Portugal, um inconformismo como antítese do que prevalece no quadro partidário.

Conheço bem a cultura política que informou a Aliança ainda nascitura e o pensamento fundacional consolidado que o país, como é óbvio, ainda não conhece.

Porque em Portugal não se leem programas, olha-se a arte das capas dos programas; no espaço mediático não se discutem programas entre líderes de mão cheia ou vazia, prometem-se mais benefícios no imediato, nunca informando dos tributos fiscais pelas famílias e empresas, que batem à porta logo de seguida.

Um ano é nada na vida de uma instituição política e é pouco também para a Aliança.

Mas quem não adere a um partido para chegar a cargos que não resultem do valor próprio, da credibilidade e do potencial reconhecimento eleitoral, sabe que a hora da Aliança e do que defende chegará, no reconhecimento público mais cedo ou mais tarde.

A razão está do lado de quem não se conforma com o que Portugal é hoje.

Assim tem sido na Europa, assim vai ser também em Portugal.

Eu sei que a cultura instalada na vida política nacional trata mais da superfície que das águas profundas; dos casos que dos seus significados; da aparência do dia, que da realidade diferente do dia seguinte …

Mas se Portugal não fizer nascer novas realidades partidárias que afirmem a promoção da liberdade económica; do gosto de inovar, do incentivo ao risco, do desafio enquanto nação à concorrência internacional; do inconformismo ativo perante metade do território sem forte indústria, comércio e serviços e no final sem nada e sem habitantes; se nada disto acontecer, não é a resposta às agendas climáticos o cerne do nosso futuro, mas o deserto humano de um Portugal que terá tido 14 milhões de cidadãos no início do século passado, para se quedar em 7 ou 8 milhões em 2050.

Neste momento, o nosso país participa na comunidade internacional e em especial na UE, em plenitude de cumprimento do essencial quanto às instituições, perante os seus parceiros.

Não conseguiu foi como comunidade organizada politicamente, colocar os cidadãos com níveis de vida como os do topo da comunidade internacional onde participa.

Por isso o sinal que a Aliança vai permitir com a sua presença nestas eleições.

A Aliança reuniu candidatos em todo o país cuja credibilidade e qualidade política e pessoal me faz recordar as primeiras eleições parlamentares de 1976.

Parlamentares para na Assembleia da República abordarem o rumo político do país, com menos ideologia determinada pela chefia do partido e mais pragmatismo sobre a realidade que representa cada eleito.

Talvez que nas próximas eleições se decida mais do que seremos e como estaremos nesta próxima legislatura.

Talvez esteja já em jogo o que seremos depois do próximo decénio.

A velocidade de mudança do mundo de hoje assim impõe e daí a importância destas eleições.

A instabilidade e estagnação destes últimos quatro anos, não se podem repetir.

Jurista

Escreve quinzenalmente

Carlos Pinto

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