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A DIVINA ALIADA DA ALIANÇA

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Muitas pessoas pensam que o principal problema político é a falta de confiança nos políticos. Eu sou uma destas pessoas, mas a novidade é que pode continuar a ler este artigo à confiança.

1º O PODER VINDO DE DEUS

O símbolo religioso da ALIANÇA tem múltiplos significados, representando quer o conceito-chave da ligação de Deus com o povo escolhido (referido no Antigo Testamento), quer a lembrança do dever de fidelidade no matrimónio. Neste último caso, o sacramento da aliança está ligado ao conceito-chave da VERDADE. Uma verdade que vem de Deus e à qual somos convidados a corresponder para se poder cumprir o “PROTOCOLO DE CONFIANÇA”, amizade e cooperação contratualmente celebrado entre duas pessoas. No sentido bíblico, “Aliança” refere-se ao pacto entre Deus e os homens, nomeadamente à decisão de Deus salvar a humanidade por meio da graça Dele. O símbolo da aliança transmite também a ideia de infinito, por se tratar de um círculo, algo ETERNO ou que jamais termina. É por isto que usar aliança significa a promessa de “para sempre”. Convém também lembrar que a própria palavra Religião deriva do latim ‘religare’ e significa ‘ligar de novo o humano com o divino’ (1), referindo-se nas escrituras que sem tal UNIÃO a humanidade caminhará para a sua extinção. 

2º O PODER DADO AO HOMEM

A 31 de outubro de 2008, alguém disponibilizou, em código aberto, uma inovação tecnológica, à qual a revista “The Economist” resolveu chamar “A Máquina da Verdade” (2). Surpreendentemente, esta tecnologia, designada “Blockchain”, traduz-se, ela própria, numa ALIANÇA capaz de distribuir a VERDADE de forma descentralizada. Isto é possível graças a um novo PROTOCOLO DE CONFIANCA, baseado num ramo avançado da matemática que é a criptografia. Este protocolo torna imutável e ETERNO o registo e a UNIÃO de blocos de dados impossíveis de falsificar. Trata-se de uma tecnologia que demonstrou ser matematicamente infalível. Por exemplo, a sua primeira e mais conhecida aplicação, o Bitcoin, corresponde a um tipo de dinheiro nunca visto. Acredite-se ou não, este novo tipo de dinheiro é programável e, com ele, as contas batem sempre certo mesmo sem a intervenção de quaisquer entidades centralizadas. A única fonte de verdade necessária para garantir que tudo isto aconteça é o insuspeito rigor matemático, sendo a respetiva validação realizada de forma descentralizada, nomeadamente graças a consensos que vão sendo estabelecidos numa rede com milhares de utilizadores. A confiança, assim obtida, designa-se por “confiança distribuída”(3), devendo prevalecer no mercado livre dado o seu baixo custo e fortíssima competitividade.  Entretanto, esta surpreendente história de confiança não acaba aqui, pois a referida “fonte da verdade” tem ainda outras aplicações. Felizmente (ou graças a Deus, fica ao critério do leitor), os algoritmos confiáveis que brotam desta fonte também servem para operacionalizar, com total segurança, quaisquer realidades quantificáveis, como por exemplo votos e orçamentos, permitindo a realização de contratos seguros entre pessoas que não se conhecem ou que não confiam umas nas outras… Ora, como estes contratos podem ser realizados sem a intervenção de intermediários (e.g.bancos), passará a ser possível beneficiar da automatização de diversos processos mediante a celebração de contratos autoexecutáveis, quer seja diretamente entre os próprios indivíduos, quer seja entre empresas, clientes, entidades públicas e cidadãos. Por exemplo, depois do número de votos estipulado libertar o orçamento previsto num protocolo sufragado pelos eleitores, deixa de haver possibilidade de se quebrar essa promessa eleitoral…

3º O PODER DA MATEMÁTICA, ESSA DIVINA ALIADA.

Ao longo da história, os principais filósofos foram atribuindo à matemática um caráter divino. Pitágoras considerava que a matemática era “real, imutável, onipresente, e também a coisa mais elevada que a mente humana pode conceber”, chegando mesmo a afirmar que “Deus não é um matemático, a matemática é Deus”. Por sua vez, Platão, na sua obra “A República”, escreveu que “o conhecimento da matemática é considerado como um passo crucial no caminho de conhecer as formas divinas”. A perceção de que a matemática é a linguagem do universo e, portanto, a visão de Deus como sendo um matemático, foi também confirmada em trabalhos de Arquimedes. O próprio Galileu partilhava desta convicção, referindo que “se para compreender o universo, era preciso falar esta língua, Deus era com certeza um matemático.”. Outros vultos intelectuais, tais como Newton e Einstein, também reconheceram nesta ciência exata a presença do Criador do universo. Assim, não constituiria surpresa para estes filósofos que a matemática, enquanto ciência exata e fruto da inspiração divina, pudesse iluminar o caminho para a humanidade sair das trevas que se adensam pela falta de confiança política. 

4º O PODER DO PARTIDO ALIANÇA 

Penso que o partido Aliança deverá ser pioneiro no aproveitamento da “confiança distribuída”. Temos os valores corretos e uma liderança com a ousadia necessária para sermos os primeiros a integrar este novo conceito num projeto de ESPERANÇA e CONFIANÇA que permita enfrentar os enormes desafios desta preocupante época em que vivemos. Na Aliança, percebemos que o egoísmo humano atingiu proporções inimagináveis, sobretudo fruto de um sistema político esgotado e financeiramente assente na divida e no débito. Infelizmente, o dinheiro tradicional (não-programável) reduz todo o valor a uma única dimensão, convidando mais à especulação do que à produção. Esta situação chegou agora a um ponto em que a falta de confiança nas instituições politico-financeiras está a minar o progresso da humanidade, ameaçando mesmo a sobrevivência de todos nós. Sinceramente, perante a tamanha falta de confiança que grassa na sociedade (a qual se agravará muito na próxima crise financeira), creio que apenas poderemos confiar na matemática. Assim, julgo que devemos aproveitar o facto de a ciência e a tecnologia terem acendido uma “luz de presença” nas trevas da desconfiança (“a ciência é como uma vela acesa na escuridão”), não perdendo esta oportunidade política de iluminar a verdade com tão forte aliada. Apelemos, pois, à mente e também ao espírito do cidadão comum, dando-lhe a boa nova da nossa Aliança com a “Confiança Distribuída”. Pelas razões e convicções expostas neste artigo, julgo que não estamos apenas perante uma mera “luz de presença” tecnológica, mas sim perante a “LUZ ao fundo do túnel” que é a VERDADE . Se apontarmos bem esta luz, aumentaremos o brilho da Aliança e chegaremos à mente e ao espírito de muitas pessoas de boa fé. É imprescindível percebermos como as tecnologias digitais se tornaram muitíssimo poderosas ao incorporarem a confiança matemática. Há uma nova “Internet do Valor”, que deve permanecer aberta para que a verdade não seja estipulada apenas por algumas pessoas, mas sim validada por amplos consensos comunitários… Sem que exista uma tal liberdade, a Aliança e todos nós sairemos derrotados por interesses monopolistas ou até por um novo regime totalitário.

  • Clack, B., & Clack, B. R. (2019). The philosophy of religion: A critical introduction. John Wiley & Sons.
  • Beck, R., Stenum Czepluch, J., Lollike, N., & Malone, S. (2016). Blockchain–the gateway to trust-free cryptographic transactions.  
  • Seidel, M. D. L. (2018). Questioning centralized organizations in a time of distributed trust. Journal of Management Inquiry, 27(1), 40-44.

Dário Rodrigues

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