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Pobre de quem é pobre

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Quando num país europeu se perde uma vida por falta de equipamentos básicos numa unidade de saúde é, se possível, ainda mais lamentável.

Em Portugal é cada vez mais assim em cada vez mais zonas do território: as pessoas têm de ser transferidas para Lisboa ou para o Porto por falta de equipamentos, por falta de médicos ou por qualquer outra falta.

Não há razão para isto. Pelo que li, não havia resposta em termos de incubadoras ou em serviços de neonatologia no Algarve. Ora, como é possível que mães de Portugal não possam ter os seus filhos em segurança por falha das condições básicas? Quase apetece dizer que era mais seguro quando as mães tinham os seus filhos em casa, há cerca de um século, ou menos, em várias regiões do país. Obviamente, ninguém põe em causa que isso são tempos passados e que o que é seguro é ter a criança numa maternidade, com os devidos cuidados hospitalares. Agora, uma mãe “andar de Herodes para Pilatos” à procura de um hospital onde o seu filho prematuro possa nascer é, obviamente, extremamente inseguro. E o que deve sentir uma mãe e um pai a terem de fazer centenas de quilómetros quando a criança está quase para nascer, ainda por cima prematuramente.

Há temas que é muito triste e muito deprimente levar para a luta político-partidária. Eu gostava de não ter de escrever estas palavras, gostava que em Portugal tudo fosse impecável nesta matéria. As taxas de mortalidade infantil baixaram muito, nomeadamente os casos no nascimento. Mas estamos na Europa! Temos as autoestradas que temos, temos os estádios de futebol que temos, os pavilhões que temos, os centros comerciais que temos, os campos de golfe que temos, e a resposta dos serviços de saúde está cada vez pior?

Só num país que não dá voz a quem verdadeiramente faz oposição ao Governo é que situações como estas não provocam grandes danos a quem deixou essa degradação acontecer. Critiquei governos anteriores quando encerraram unidades de saúde e/ou lhes foram retirando valências e capacidade de resposta. Mas, nomeadamente o Governo anterior, teve de decidir em época de quase bancarrota. Nas circunstâncias desta legislatura, de algum crescimento económico, de devolução de rendimentos, de redução do IVA nalguns domínios, é incompreensível que o SNS tenha chegado onde chegou. O problema é que as pessoas que estão mais próximas do poder, ou nos principais centros urbanos, ou as que têm mais possibilidades económicas, ainda não se convenceram disto. Como dizia a minha avó, pobre de quem é pobre.

Fonte: Jornal de Negócios

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