Início Aliança Os saldos eleitorais

Os saldos eleitorais

194
0

Hoje em dia há saldos quase o ano todo em muitas lojas, mas na política, nomeadamente em Portugal, os saldos são na altura das campanhas. Na verdade, estamos em saldos em matéria fiscal, nomeadamente no que ao centro-direita diz respeito.

Não há semana, e às vezes não há dia, em que não apareça uma noticiazinha a dar conta de que um partido dessa área política propõe nas eleições a descida do IRC, ou do IRS, ou de ambos, mais os combustíveis e ainda o IVA.

Pessoalmente, bem como o partido que ajudei a fundar, defendemos, no meu caso desde há muito, na ALIANÇA desde a fundação, (como está na declaração de princípios), as virtualidades, salvo exceção absolutamente impositiva, de a carga fiscal ser o menos pesada possível e nunca sufocante.

Não é uma convicção de ocasião, nem proposta para o eleitor ver. Acreditamos que ajuda à criação do clima propício ao investimento e crescimento da economia. Mas essa é conversa para outras sedes. O que aqui cumpre sublinhar é que o PSD propôs a descida da generalidade dos impostos, o CDS propôs a redução de 15% na taxa aplicável ao imposto de cada contribuinte, e a Iniciativa Liberal propõe uma taxa única, a chamada proporcionalidade, em que todos pagariam imposto com uma taxa de 15%. Neste último caso, quem tenha taxas de 45% ou mais, ou 40%, ou 35%, teria uma redução de um terço ou metade. Na ALIANÇA essa proposta já foi debatida por iniciativa de um militante que várias pessoas da IL também consideram. Mas a questão é de contas: fizemos as contas ao que a proposta implicaria e é muito complicado para aquilo que são as necessidades de financiamento da economia portuguesa, nomeadamente das funções mais importantes do Estado.

Sinceramente, estou convicto – até pelo que tenho ouvido – de que o eleitorado não acredita em tanta fartura. E, por outro lado, não sei se esses setores do centro-direita já terão desistido da importância das contas certas e do valor desse ativo. Estou convencido de que esse leilão, como outros, não é positivo para quem nele participe. Obviamente, não está em causa a integridade de quem apresenta essas propostas, mas com franqueza, considero-as um erro político. Como diz o povo, cada um sabe de si e Deus sabe de todos. Cada um lá sabe o caminho que quer seguir.

Outra matéria em que algo semelhante começa a acontecer é a do valor do salário mínimo. A economia de baixos salários e o enorme desnível de salário e de rendimentos entre o topo e a base que existem em Portugal são realidades que não podem continuar. É importante dar passos firmes para melhorar os rendimentos das camadas sociais mais desprotegidas, mas é igualmente preciso estar bem seguro de que esses passos não põem em causa e são comportáveis para o tecido empresarial português composto sobretudo por micro e em parte médias empresas. A credibilização do sistema político e dos seus partidos passa, obviamente, pela apresentação de propostas fundadas, consistentes e viáveis.

Coluna semanal à quinta-feira, que excecionalmente é publicada hoje

PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here