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Auditora avisa. Contas do Metro de Lisboa podem ter “buraco” de três mil milhões

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Auditora BDO faz reserva nas contas do Metro de Lisboa, relativas a 2018. Há uma “importante incerteza” em relação ao reembolso pelo Estado de três mil milhões que foram investidos.

A auditora das contas do Metro de Lisboa decidiu fazer uma “reserva” às contas do grupo em 2018, porque salienta que a empresa pública tem “vindo a assumir” que será reembolsada pelo Estado dos custos que esta teve com infraestruturas de longa duração. Mas existe uma “importante incerteza quanto à recuperação” destes custos por parte da empresa, porque “não é claro o enquadramento legal ou contratual” que define que o Estado terá de reembolsar a empresa por esses custos. Estão em causa quase três mil milhões de euros, indica a auditora BDO.

“O Grupo considera que a responsabilidade pelo financiamento das infraestruturas de longa duração (ILD) que tem vindo a construir, renovar e explorar pertence ao Estado Português, registando assim, no seu ativo não corrente todos os custos de construção e gastos associados à construção e financiamento das ILD, numa rubrica designada Investimentos de infraestruturas de longa duração, no valor acumulado de 5111,6 milhões de euros que, a 31 de dezembro de 2018, permanece registado ao custo, incluindo ativos fixos tangíveis que não têm vindo a ser depreciados, líquidos de subsídios, no valor de 2.128 milhões de euros, bem como uma conta a receber do Estado de 2.955 milhões de euros“, pode ler-se no relatório de contas consolidadas enviado na quinta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), disponível neste ligação. Este risco está na manchete do Jornal Económico esta sexta-feira.

E não são apenas os custos nominais com esses investimentos que estão a ser contabilizados desta forma questionável. “De igual modo, tem vindo a registar no passivo, em rubricas com a mesma designação de investimentos em infraestruturas de longa duração, os financiamentos obtidos, outras dívidas a pagar e provisões relacionadas com a construção, renovação e financiamento das ILD, incluindo 2.326,3 milhões de euros no passivo não corrente e 900 milhões no passivo corrente”.

Mas este não é o único fator de incerteza que a BDO reconheceu ser uma limitação para o trabalho de análise das contas. Depois de o Governo de António Costa ter interrompido a privatização da empresa, essa decisão foi contestada judicialmente pelo grupo mexicano ADO, e esse é um processo que ainda corre nos tribunais. “Desconhece-se os eventuais efeitos caso a decisão judicial venha a ser desfavorável às pretensões do Metropolitano“, avisa a auditora.

Fonte: Observador

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