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Sobre o roteiro da saúde

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O roteiro da saúde, que leva esta semana a Aliançae o Presidente P Santana Lopesa debruçarem-se sobre o estado da Saúde em Portugal, tem uma especificidade preocupante que gostaria de aqui enfatizar: a saúde mental.

É importante abordar este sub-tema da saúde, porque segue imparável a venda de antidepressivos em Portugal, com um custo de 34 milhões de euros para o Estado e utentes, um novo recorde nos últimos cinco anos. Em 2018 venderam-se, nas farmácias, perto de 8,4 milhões de embalagens de antidepressivos, mais 427 mil do que no ano anterior, indicam os dados adiantados pelo Infarmed.

O fenómeno não é difícil de perceber: de acordo com Bronfenbrenner – e o seu modelo teórico de rede -, a estabilidade do microssistema individual depende da estabilidade do macrossistema. Isto é, a estabilidade do indivíduo depende da sua percepção da estabilidade de todos os ambientes externos, formando uma rede de interconexões e um sistema de suporte seguro e confiável.

Donde, quando os serviços do Estado entram em falência e ruptura, o indivíduo sente-se traído, desamparado, desesperado e entra em falência emocional com consequências graves no seu estado de saúde física e psicológica.

É por isso que o suicídio de mais um agente de autoridade, com a própria arma de serviço, é um indício grave de que (citando Hamlet) “algo está podre no reino da Dinamarca”. Não vale a pena tapar o sol com a peneira…

Filas de espera, fecho de serviços de obstetrícia, lista de espera de anos para uma cirurgia, são sinais claros da falência do Estado, com responsabilidades directas deste Governo. Acham legítimo, justo, acham aceitável uma mãe, depois de 28 semanas de gestação do seu bebé, ver esse amor da sua vida em risco de vida porque foi transferida, com bolsa rota, a meio da noite, do Hospital de Portimão para o de Évora, no Alentejo [a mais de 200 km de distância], devido à incapacidade do Hospital de Faro em receber prematuros?

E que dizer da falência do Estado em outras áreas tão vitais à sua organização como a Justiça, a Segurança, a Educação…. O facto é que quando o Estado está “doente”, as pessoas sentem-se vulneráveis e adoecem. A falência do macrossistema leva à falência do microssistema.

É por isso que, esta semana, a Aliança faz soar o alarme da saúde em Portugal.

Luís Seabra Melancia

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