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Lixo Zero

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A gestão do lixo é um tema atual e polémico. A produção de lixo em Portugal, e no mundo, tem vindo a aumentar significativamente, sendo insustentável o ritmo do seu crescimento em termos ambientais, e económicos, fazendo com que seja eminente adotar medidas para reverter esta realidade. Em Portugal, apesar do ambiente ter sido nos últimosanos alvo de numerosas campanhas, o comportamento ecológico ou “amigo do ambiente”dos portugueses continua a deixar muito a desejar.

Por muito que façamos para tratar o lixo que é produzido todos os dias, parece ainda revelar- se insuficiente, sobretudo no que diz respeito às metas políticas que remetem para os 3Rs– Redução, Reutilização e Reciclagem – que, para serem atingidas, implicam a colaboração das populações.

A questão da separação de lixos para reciclagem na esfera doméstica é eminente e, por isso, é importante perceber a problemática da mudança de comportamento dos indivíduos que a prática da separação para reciclagem implica.

A reciclagem deveria começar em casa. Cada agregado familiar deveria cumprir a lei da reciclagem e cada cidadão deveria ser obrigado a responsabilizar-se pelo lixo que faz, afinal é ele que o produz. Mas o facto é que as famílias portuguesas parecem ter desistido de reciclar. Porém, se decidirmos questionar e visualizar a quantidade de lixo que fazemos, tornando-nos conscientes de que ele é nosso e terá de ser reduzido, estamos a um simples passo para iniciarmos uma vida lixo zero questionando aquilo que achamos normal e começando a pensar fora da caixa.

Nesse sentido, vamos pensar em iniciar a dieta do lixo? Experimentar comprar nos pequenos estabelecimentos de comércio tradicional produtos sem embalagem, desde a carne ao sabonete. Experimentar trazer para casa menos comida industrializada. Cozinhar em casa e pensar mais nos alimentos que compramos. Afinal, o embalamento de um produto aumenta o seu preço de venda ao público e cabe ao consumidor suportar o custo decorrente da destruição da embalagem desse mesmo produto, que vem refletido na carga fiscal que cai, anualmente, sobre nós, os contribuintes.

Esse mesmo lixo que produzimos ao cozinhar pode ser transformado. Vamos pensar no valor que gastamos em terra para as plantas domésticas por ano ou nas vezes que saimos de casa para despejar o caixote do lixo bio. Conhecemos a vermicompostagem? Se tivermos crianças em casa elas vão adorar os seus novos “pets”. Se 80 % do lixo produzido é matéria orgânica, que raramente se decompõe nos aterros sanitários vamos acelerar esse processo natural de compostagem na utilização de minhocas específicas, que decompõe os restos orgânicos em decomposição. A natureza dá-nos tanta coisa…..

Outra questão importante na tomada de consciencia do lixo que produzimos é o aprendermos a recusar aquilo que não necessitamos, reduzir o consumo e reutilizar e reciclar tudo aquilo que não podemos recusar . Ou seja, comprar menos produtos novos e preferir lojas em segunda-mão; reparar aquilo que está estragado e que achamos não ter mais utilidade; comprar menos objetos descartáveis e de uso único; comprar a granel em vez de comprar embalado; preferir sacos de pano a sacos de plástico, preferir o vidro ao plástico; usar produtos de limpeza naturais e vendidos a granel.

Enfim, voltemos às raizes, ao antigo e natural. Recolhamos mais da natureza e vamos estar sempre em contacto com ela para tomaros a consciência que nos afastámos das raizes e que vivemos entre portas e paredes com um mundo lá fora pleno de experiências novas que ainda não experienciámos. Qualquer pessoa pode passar mais tempo ao ar livre se assim o quiser e isso aproxima-nos da terra e afasta-nos do fardo das coisas e das práticas que geram desperdicios e doença. Vivamos mais em contacto com a natureza e zelemos, assim, por ela. Este é o primeiro passo para uma vida lixo zero.

Sandra Gonçalves Marques

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