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A conjuntura, a dívida e…a incongruência Socialista

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252.515 milhões de euros. Duzentos e cinquenta e dois mil, quinhentos e quinze milhões de Euros.

É este o valor da Dívida Pública Portuguesa.

Não é necessário decorar o número pois à medida que vai lendo este artigo o número já ultrapassa e muito este valor.

Segundo dados fornecidos pelo Banco de Portugal (pelo menos) desde 2007 que Portugal não devia tanto dinheiro.

A frente esquerda e alguns comentadores têm desvalorizado a importância do valor nominal da dívida Portuguesa. Mas será mesmo para desvalorizar?

Infelizmente para Portugal a realidade desmente categoricamente o que vem sendo avançado pela frente esquerda quando desvaloriza o crescente nominal da Divida.

A dívida portuguesa situa-se hoje em 123% do Produto Interno Bruto (PIB); ou seja, acima dos 121,5% do PIB que Portugal mantinha no fim do ano passado.

Segundo a avaliação (feita pela UE) ao pós-programa de ajustamento de Portugal basta que exista um pequeno abrandamento da economia mundial (e há dados que anteveem isso mesmo) e todo o esforço feito pelos portugueses terá sido completamente liquidado.

Basta que a taxa de crescimento reduza apenas meio ponto percentual e as taxas de juro da dívida subam cerca de um ponto percentual e o rácio da divida pública irá, na melhor das hipóteses, manter-se na casa dos 121% do PIB.

Tais cenários preocupantes podem ser observados no seguinte quadro:

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Mesmo ignorando os cenários prováveis de um arrefecimento da economia e confiando que o crescimento médio português sobe meio ponto percentual até 2029 bem como a nossa taxa de juro da nova divida desça 1 ponto percentual (dois cenários que dificilmente irão acontecer) o rácio da dívida pública portuguesa será de aproximadamente 96% do PIB.
Em suma, mesmo num cenário óptimista, daqui a uma década continuaremos a ter um rácio de dívida que mantém Portugal vulnerável e refém dos mercados com inúmeros riscos implícitos e, bastante acima do limite de 60% do rácio divida/pib estabelecido pelo Pacto de Estabilidade.

Tudo o que de negativo ia acontecendo durante o “reinado” socialista de José Sócrates foi (e continua a ser) justificado pela esquerda com a “Conjuntura Internacional”. Desvalorizando totalmente a ineficácia do apoio à economia, os enormes erros estratégicos quer a nível financeiro, social quer mesmo da própria organização do Estado tudo acontecia não por uma gestão governativa inábil e “dantesca” mas sim pela Conjuntura.

Serão também os milhões que o Estado perdeu em alegados esquemas de corrupção que são hoje investigados, como são exemplos, entre tantos outros, a Operação Marquês ou o novo Escândalo das PPP das Auto Estradas, proveniência da “Conjuntura” ?

Um facto é que a conjuntura atual é bem mais propicia ao crescimento (mas não ouvimos a Frente Esquerda justificar as escassas melhorias que tanto apregoam com a conjuntura) do que o era há escassos 4 anos. As políticas monetárias expansionistas

que os principais bancos centrais mundiais têm seguido, aliada a uma maior confiança dos mercados levou a um crescimento acentuado em várias economias mundiais, incluindo dentro da Zona Euro. Países como Hungria (5.2%), Roménia (5.1%), Polónia (4.7%) Estónia (4.6%) crescem acentuadamente enquanto Portugal continua a crescer “poucochinho” e viu a sua previsão de Crescimento em 2019 cortada para 1.7% pelo FMI.

O único indicador que parece crescer em Portugal é o referente à carga fiscal e, em 2020, não será diferente uma vez que Bruxelas prevê uma subida da carga fiscal para 35.5% do PIB já no próximo ano. Já se apercebeu que o peso do valor cobrado em impostos e descontos para a Segurança Social tem crescido mais depressa do que a economia nos últimos 4 anos de “governação socialista” ?

Tudo isto é sinónimo que a frente esquerda perdeu uma oportunidade de ouro de aproveitar a “conjuntura internacional” para cortar as gorduras do Estado, apoiar e proteger efetivamente as famílias, as empresas, a economia, melhorar a eficiência energética e a política ambiental em suma, de melhorar a vida dos portugueses e preparar o país para sair praticamente incólume a novas “conjunturas internacionais negativas” quando, na verdade, a única “conjuntura negativa” parece ser a dos sucessivos governos que têm comandado os nossos destinos nas últimas décadas.

Até quando os portugueses vão aguentar?
Portugal merece muito mais. Portugal pode muito mais!

Bruno Maia

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