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Crónica de um hospital anunciado

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A história do “hospital novo” dava para um romance. De cordel.
A construção do Hospital Central Público do Alentejo tem sido uma
Pedra de toque na caderneta de cromos sempre que se aproximam
Eleições.

Mais uma vez se acena com a construção do novo hospital e mais uma vez não se vão dar início aos trabalhos da sua construção até ao final da legislatura. Mas lançou-se mais uma pedra.

Mais uma vez se garante como certa a construção do novo hospital mas não há sinais de adjudicação da obra, nem tão pouco de ter sido lançado qualquer concurso. Mas lançou-se mais uma pedra.

A existência deste hospital é definida como uma necessidade desde 2006. 2006! E o seu projecto está pronto desde 2012.

Mas, à semelhança de uma série famosa, ou exigimos que se concretizem as promessas eleitorais, ou o Hospital novo de Évora mais não será que o Hospital de Papel.

Falamos de um hospital que, em segunda linha, servirá cerca de 500 mil utentes. E, na cintura da sua proximidade, 200 mil.

Mas é, como tem sido, uma promessa. Adiada e adiável.

Até lá, passeiam-se os doentes acamados entre os dois edifícios, fazendo-os atravessar a rua, de maca, ao sol e a chuva.

Até lá, os doentes amontoam-se numas urgências feitas à enxó, sem camas e em macas.

Até lá, esquecem-se os 500 postos de trabalho que podem minorar a interioridade desta cidade que é fantástica para os turistas. Desde que não adoeçam.

Com tanto lançamento de primeiras pedras, já devíamos, pelo menos, ter umas novas urgências construídas!

Há assuntos em que temos todos de concordar!

Nb: Acabei de ficar a saber pelos jornais que uma mãe algarvia veio ter o seu filho a Évora. Não por capricho mas porque a maternidade da sua terra não está a funcionar.
Fui tia da minha terceira sobrinha ontem. E fiz questão de estar ao lado do meu irmão nesse momento. A família desse bebé não teve essa oportunidade. Porque o nosso sistema de saúde não lhe permitiu isso. É isto que queremos para o nosso país?

Ana Rosado da Fonseca

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