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Quem é Charles Michel, o novo presidente do Conselho Europeu?

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Vem de um país habituado a não ter governo – neste momento é governado por um interino – e onde os maiores confrontos se dão por causa dos ultranacionalismos. Uma boa ‘escola’ para o lugar que passa a ocupar.

Não é fácil governar a Bélgica – um país dividido a meio por uma fronteira invisível que todos sabem que está lá, a que alguém decidiu acrescentar a capital da União Europeia, uma zona especial que com isso muito tem sofrido desde que o Daesh passou a operar no lado escuro do mundo.

Mas, apesar de difícil, parece ser, por outro lado, extremamente fácil: esteve 541 dias seguidos sem governo e não foi por isso que mal ao mundo (dos belgas) veio, nem que o país registou qualquer solavanco estatístico nos grandes números da macroeconomia.

Seja como for, Charles Michel, que agora deixa o papel de primeiro-ministro da Bélgica para passar a ser presidente do Conselho Europeu, passou um mau bocado desde que, em outubro de 2014, assumiu esse papel. Tudo indicava que assim seria: a coligação que tomava conta do país misturava perigosamente ultranacionalistas flamengos, francófonos, liberais flamengos e democratas-cristãos igualmente flamengos.

Michel estava em absoluta minoria – é proveniente do Mouvement Reformatour (MR), exatamente o único partido fracófono do agregado. Não tardou a perceber que se tinha metido em trabalhos: no ano seguinte, com o auge da crise dos refugiados, Michel viu-se confrontado com a evidência de que o ultranacionalismo é normalmente acompanhado de uma via tendente para a xenofobia. E o governo entrou em crise – mas não caiu.

Uns anos volvidos, nova situação de crise, tendo mais uma vez o epicentro em questões de imigração: os ultranacionalistas (do partido N-VA) não perdoaram a Michel ter assinado o pacto global da ONU sobre imigração, já no final do ano passado. Resultado: segundo tudo leva a crer, a Bélgica está novamente sem governo – ou ao menos sem todo o governo.

Charles Michel tem a política no sangue: é filho de Louis Michel, que chegou a ser ministro dos Negócios Estrangeiros da Bélgica e Comissário Europeu para os Assuntos Humanitários (entre 2004 e 2009). Talvez por isso, iniciou a carreira política com apenas 16 anos, quando se juntou aos jovens liberais reformadores da Jodoigne, uma espécie de juventude do movimento onde o pai militava e que Charles haveria de liderar.

Licenciado em Direito na Universidade Livre de Bruxelas e na Universidade de Amesterdão (1998), Michel foi eleito para a Câmara federal dos Deputados federal pela primeira vez em 1999.

Em Dezembro de 2007, Michel tornou-se Ministro da Cooperação para o Desenvolvimento no governo belga de Verhofstadt III, tendo assim deixado as suas anteriores andanças políticas mais regionais. Após as eleições regionais de junho de 2009, Michel fez parte de um grupo que exigia que o líder do MR, Didier Reynders, renunciasse.

Quando isso aconteceu – depois de mais um de muitos desastres eleitorais – Michel anunciou a sua candidatura a líder do partido e em janeiro de 2011 seria eleito para essa função. Três anos mais tarde, depois das eleições federais de 2014, Michel acabaria, depois de muitas peripécias, por assumir o cargo de primeiro-ministro. Foi aí que verdadeiramente começaram as duas dores de cabeça.

Apesar de ser um organismo bem menos exposto que a Comissão Europeia, a presidência do Conselho Europeu vai colocar Charles Michel no epicentro de alguns da decisão política da União Europeia, tornando-o responsável por tentar – e obrigatoriamente conseguir – um equilíbrio entre as várias sensibilidades que se digladiam em cada cimeira europeia. Para já, tem no horizonte o Brexit e um problema que conhece bem: a imigração.

Fonte: Jornal Económico

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