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A Solução para a Falta de Confiança na Política e nos Políticos

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Somos um novo partido formado maioritariamente por pessoas que nunca estiveram na política e não se identificam com um sistema político cada vez menos digno de confiança. Mais de dois terços da população não vai votar, existindo uma generalizada falta de confiança nos protagonistas políticos.

Podemos ventilar a ideia de que a Aliança, sendo um partido novo e fiel depositário da esperança de cidadãos que nunca haviam estado na política, pode introduzir uma lufada de ar fresco no ambiente político e torná-lo respirável. Bem gostaria que isso acontecesse, mas creio que o sistema político está demasiado bafiento para tal vir a suceder. Para agravar esta situação, os mais recentes resultados eleitorais, que foram obtidos, não esqueçamos, com uma intoleravelmente escassa base de votantes, colocam Portugal em contraciclo com a Europa e num rumo cujo destino infelizmente já conhecemos.

A única saída democrática para tão grave problema é devolver a confiança aos cidadãos eleitores, nomeadamente garantindo-lhes que os programas políticos sufragados são cumpridos na íntegra sejam quais forem os governantes escolhidos. No entanto, dada a natureza humana e como os intermediários humanos eleitos são muitos, uma tal confiança cega jamais será alcançada. Assim, vai surgindo a tentação de colocar todos os ovos no mesmo cesto confiando em utopias ou salvadores iluminados…

O prémio Nobel da Economia, Friedrich Hayek, explicou-nos que “a menos que possamos fazer das bases filosóficas da livre sociedade uma questão intelectual viva, e de sua implementação uma tarefa que desafie a engenhosidade e imaginação das mentes mais esclarecidas, as perspetivas de liberdade apresentam-se, de facto, sombrias”. Também a sabedoria popular nos ensinou que ”para grandes males grandes remédios”, e uma solução satisfatória para o atual estado da nação terá de ir à raiz do problema, solucionando de vez o problema da falta de confiança nos políticos e no sistema político.

Ora, foi já há mais de dez anos que o engenho humano inventou, finalmente, uma solução para o grave problema da falta de confiança nas instituições. Esta solução foi primeiramente desenhada para resolver as dificuldades provocadas pela falta de confiança no sistema financeiro (vivia-se a crise financeira de 2009), mas ela pode adaptar-se ao problema em apreço e suprir a falta de confiança no sistema político. Na verdade, esta tecnologia pioneira tem vindo, ao longo da última década, a recorrer a um método informático (designado por criptografia) que permite disponibilizar um novo tipo de confiança baseado unicamente no rigor matemático e no poder das redes. Utilizando um sistema descentralizado, esta nova “contabilidade da confiança” é toda ela feita e verificada em redes de computadores pessoais e nos telemóveis dos próprios cidadãos, emancipando os indivíduos e libertando-os da tradicional dependência das mesmas instituições centralizadas que tantas vezes se revelam indignas de confiança.

Existem cada vez mais novos casos de aplicações bem-sucedidas desta nova “confiança distribuída”, que tem vindo a ser utilizada com êxito em vários países, nas áreas financeira (1) , económica (2) e política (3) . Sem embrenhar o leitor em explicações enfadonhas sobre os respetivos aspetos técnicos, quero apenas sublinhar o facto de que esta tecnologia é na prática tão infalível como a própria matemática.

Estou ciente de que só graças a decisões políticas esclarecidas, capazes de integrar ideias ousadas, mas que são inteiramente concretizáveis devido a um progresso tecnológico sem precedentes, poderemos vencer este desafio e resolver um problema que irá traduzir-se numa ameaça à própria democracia. Ainda parafraseando Hayek, “se conseguirmos reconquistar a crença no poder das ideias – que foi a marca do liberalismo no seu melhor momento – a batalha não está perdida.”.

(1) Satoshi Nakamoto. Bitcoin: A peer-to-peer electronic cash system. 1:2012, 2008.

(2) Kotka, T., Vargas, C., Korjus, K. Estonian e-Residency: Redefining the Nation-State in the Digital Era, University of Oxford, Working Paper Series – No 3, September 2015, 1-16.

(3) Young, S. (2018). Changing governance models by applying blockchain computing. Catholic University Journal of Law and Technology, 23 (2). Retrieved from https://scholarship.law.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1056&context=jlt.

Dário Rodrigues

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