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Morreu Ruben de Carvalho, histórico dirigente do PCP

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O jornalista e dirigente histórico do PCP tinha 74 anos. Preso seis vezes, fã de fado, Ruben de Carvalho foi também deputado à Assembleia da República e vereador da Câmara Municipal de Lisboa.

Morreu Ruben de Carvalho, jornalista e dirigente histórico do Partido Comunista Português (PCP) que fazia parte da organização da Festa do Avante! desde o seu início, em 1976. O jornalista morreu na madrugada desta terça-feira no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vítima de “problemas de saúde que exigiram internamento hospitalar”, confirmou o Secretariado do Comité Central do PCP em comunicado.

Ruben de Carvalho, de 74 anos, foi chefe de redação do semanário “Avante!”, órgão central do PCP, entre abril de 1974 e junho de 1995, chefe de redação da revista “Vida Mundial” e redator coordenador do jornal “O Século”. Partilhava uma paixão pelo fado e chegou a publicar livros sobre o tema, como “As Músicas do Fado” e “Um Século de Fado”.

Na nota enviada às redações, o Secretariado do Comité Central do PCP recorda que Ruben de Carvalho “assumiu uma intervenção destacada na atividade do Partido, tendo desempenhado importantes tarefas, cargos e responsabilidades”, sublinhando que o dirigente comunista “deixou à sociedade portuguesa um contributo de grande relevo no conhecimento da música, na sua dimensão artística, cultural e social, no plano nacional e internacional, das suas raízes populares à sua dimensão erudita”.

Numa entrevista dada ao Observador em 2016, o dirigente comunista contou como chegou à política a partir de influências familiares e do contexto político e social dos anos 50 que “empurrou as pessoas para a esquerda”. Ruben de Carvalho foi também membro das “comissões juvenis de apoio” à candidatura do General Humberto Delgado, deputado à Assembleia da República, eleito pelo distrito de Setúbal, e vereador da Câmara Municipal de Lisboa.

Aos 14 anos, levou “pela primeira vez uma cacetada da polícia numa manifestação na Estefânia”, naquele que era “o arranque com mais força, nos anos 50, da resposta à tentativa do fascismo de controlar as associações de estudantes”. O jornalista estudou no Liceu Camões — “dividido entre a direita e a esquerda” — e ficou colocado na “turma da esquerda”.

Ruben de Carvalho com Jerónimo de Sousa em campanha para a Câmara Municipal de Lisboa, em 2007

Já enquanto estudante, Ruben de Carvalho chegou a integrar, em 1960, a Direção da Comissão Pró-Associaçao dos Estudantes do Ensino Liceal e da Comissão Nacional do Dia do Estudante. Mais tarde, quando ingressou no Ensino Superior, o jornalista participou na luta académica de 1962 .

Preso seis vezes, Ruben de Carvalho disse ter sido apresentado a “todas as prisões do fascismo” e era o único membro no atual Comité Central do PCP que tinha estado preso nas cadeias da PIDE durante o Estado Novo.

A primeira vez, em 62, fui preso em casa. Depois, no mesmo ano, fui preso na cantina universitária, durante a famosa greve de fome. Fui novamente preso em 63… E a última prisão lembro-me que foi em 74. Tinha saído de Caxias quinze dias antes do 25 abril e havia largas probabilidades de lá voltar se não tivesse havido o 25 de abril. Andei por toda a parte. Só não andei por Peniche”, disse em entrevista ao Observador.

O dirigente comunista era também responsável na Câmara Municipal de Lisboa pelo Roteiro do Antifascismo e manteve, na RDP1, o programa “Radicais Livres”, onde debatia temas de atualidade com Jaime Nogueira Pinto.

(Em atualização)

Fonte: Observador

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