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A política do imediato (sem propósito)

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Para onde vamos? Para onde queremos ir? Sim, quase ao jeito da canção, “quis saber quem sou, o que faço aqui”.

A crise anunciou-se e o país viu-se de tanga. Já foi há muito tempo, tanto que a memória quase apagou os rostos e a origem dos problemas (que se foram agravando indiscretamente).

A sociedade mudou com as suas novas preocupações e os políticos requalificaram-se para uma espécie de gestores de dívida. Afinal, governar hoje é um perigoso exercício matemático.

Os anos têm passado e, tirando o fenómeno da política de afetos do Presidente da República, a política perdeu sensibilidade, deixou de lado a sua natureza aspiracional e identitária, tornando-se num caderno de encargos ou numa lista de compras de mercearia.

Ora, como já adivinham, não há nada de apaixonante ou mobilizador numa lista de compras de mercearia (honra seja feita a algumas bolachas mas, em tempos de crise, não há orçamento nem para isso).

Aqui chegados, identificado o problema, é preciso dar um fim, um propósito ao que se vai comprar à mercearia. Temos de dar sentido e recordar as deliciosas refeições que se podem fazer… Afinal, o arroz com atum não enche a alma.

De facto, são as cataplanas que lembram aqueles almoços bem passados com família e amigos.

Como facilmente se percebe, o que com coisas simples se pretendeu dizer, precisamos ousar e aspirar a mais. Pode não ser tudo de uma vez, pode ser gradual, mas é preciso sinalizar ao que vamos e o que queremos.

É, sem dúvida, esse o caminho que temos de fazer.

Em frente e em força!

António Teixeira

Advogado