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Um abraço do CDS ao Aliança, um ataque duro ao BE “deplorável”, e a defesa das polícias. “Isso não é ser de extrema-direita”

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Faltam 4 dias e Nuno Melo escolhe tema da “segurança”. Defende polícias, ataca BE (poupa PCP) por chamar “bosta da bófia”, e “isto não é ser de extrema-direita”. Mas antes, um abraço a Paulo Sande.

O encontro estava marcado para as 10h30, na praça da fruta das Caldas da Rainha, e quando a caravana azul e branca lá chegou deparou-se com a presença de outras bandeiras (curiosamente também azuis e brancas, mas num tom mais claro). Era um pequeno grupo da campanha do Aliança, com o candidato Paulo Sande a liderar as tropas. Primeiro, a ordem foi seguir viagem, uns para o lado, entre nêsperas e kiwis, e outros para outro, entre morangos e hortelã. O encontro, contudo, seria inevitável.

E o abraço também. Um por um, todos os membros da lista do CDS, de Nuno Melo a Pedro Mota Soares passando por Raquel Vaz Pinto e até pela deputada Ana Rita Bessa, abraçaram calorosamente o cabeça-de-lista do partido de Pedro Santana Lopes, que disputa o mesmo espaço político da “direita democrática” do CDS. Concorrência à parte, os abraços serviram para perguntar como estava de saúde, e como estava Santana Lopes, visto que ambos sofreram na semana passada um acidente de viação. De resto, os desejos de “boa campanha” foram mútuos e cordiais. “Não nos preocupamos um dia com o que os outros partidos estão a fazer, e isso vale para todos, do PS ao partido mais pequeno do boletim de voto”, diria depois Nuno Melo aos jornalistas.

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Campanha do CDS cruzou-se esta manhã nas Caldas da Rainha com campanha do Aliança. Concorrência à parte, abraço de Nuno Melo a Paulo Sande foi demorado #europeias2019 #EE2019311:43 – 22 de mai de 2019Veja outros Tweets de Observador (Eleições)Informações e privacidade no Twitter Ads

Nuno Melo em campanha contra o BE. “O Bloco de Esquerda é tudo o que mais deploro na política”

A quatro dias das eleições, o CDS está confiante e Nuno Melo não se cansa de dizer que o CDS “pode muito bem ser a surpresa da noite”. Mas para ser a surpresa da noite, o CDS tem de ficar à frente do Bloco de Esquerda e do PCP, já que tem sido essa a fasquia de Nuno Melo. Por isso, a ordem continua a ser atacar estes dois partidos — sobretudo o Bloco de Esquerda. O PCP, admitiu esta quarta-feira Nuno Melo, é mais “coerente” no que defende, enquanto o Bloco de Esquerda “defende tudo e o seu contrário”. “O Bloco de Esquerda é a expressão do que eu mais deploro na política”, disse, referindo-se à “forma leviana com que se diz uma coisa e o seu contrário na expectativa de enganar toda a gente”.

Fora vários os casos levantados por Nuno Melo para atacar os bloquistas (já ontem à noite, no jantar em Cascais, tinha ensaiado este tiro ao alvo): primeiro, o caso Robles, onde o então vereador da câmara de Lisboa se dizia defensor da habitação urbana no combate à gentrificação, e depois viria a ser envolvido numa polémica de especulação imobiliária numa casa de família; depois, Catarina Martins por, segundo os centristas, ter defendido a saída do euro em declarações de 2017, e agora Marisa Matias — “com uma cara seráfica a fingir sentido de Estado” — dizer que o BE nunca o defendeu; e, por fim, o caso Francisco Louçã, que simboliza “a revisita ao PREC, às nacionalizações, à Reforma Agrária” e que, depois de “provar o poder, numa extrema-esquerda que é chique e é caviar, acabou conselheiro do Banco de Portugal”.

Isto diz tudo. É extraordinário crescer na política a combater o capital e depois ser-se entronizado na sua defesa”, numa instituição que é a “caracterização máxima desse capital”, o Banco de Portugal, disse ainda Nuno Melo.

Na terça-feira, em Braga, a coordenadora do BE, Catarina Martins, tinha sublinhado a participação de Paulo Portas na campanha do CDS com uma referência implícita à investigação da compra dos submarinos, decidida quando o ex-líder era ministro da Defesa: “Paulo Portas emerge também esta noite [terça-feira], qual submarino, do seu mundo de negócios. Fez uma pausa da Mota Engil para aparecer na campanha do CDS”, disse a coordenadora bloquista, numa referência que Nuno Melo considerou uma “alarvidade”, por “trazer uma suspeição miserável sobre quem nunca sequer foi constituído arguido fosse do que fosse”.

CDS dedica dia à defesa das polícias. “Isso não é ser de extrema-direita, é ter decência”

Basta olhar para as sondagens que são feitas, como as que foram compiladas pelo Politico, para perceber que no topo da preocupação dos eleitores portugueses a nível europeu está, não a imigração, não a situação económico-financeira do país, nem sequer já o desemprego, mas sim o terrorismo. Uma realidade que tem vindo a mudar desde 2016, já que, em 2014, por exemplo, quando se realizaram as últimas eleições europeias, era o desemprego e as contas públicas o que mais preocupava os portugueses (o terrorismo aparecia no fundo da tabela, em décima posição). Foi talvez com base nisso que o CDS escolheu para esta quarta-feira o tema da “segurança” e da “defesa dos polícias”. Sem medo de, com isso, ser conotado de partido de extrema-direita.

“Nós dizemos o que qualquer político com moderação e decência tem de dizer. Não vamos deixar de falar das forças de segurança e das dificuldades que as polícias têm por corrermos o risco de entrar no discurso ficcionado de que isso é sermos de extrema-direita”, disse Nuno Melo aos jornalistas, fazendo-se valer do seu trabalho de dez anos no Parlamento Europeu na comissão de liberdades cívicas, onde os temas da segurança e terrorismo à escala europeia são tratados.

Para Nuno Melo, o CDS diz o que sempre disse, sem “medo”: “Um país só é verdadeiramente soberano se souber assegurar a liberdade e a segurança do seu povo”, disse aos jornalistas à margem de uma visita à feira das Caldas, lembrando que no Parlamento Europeu o PCP e o BE votam sistematicamente contra o reforço das condições de segurança e o intercâmbio de informações entre autoridades dos vários Estados-membros. E isso é o equivalente ao Bloco de Esquerda apelidar, como fez a propósito dos incidentes no bairro da Jamaica, a polícia de “bosta da bófia”. “As polícias não existem para ser apoucadas, e dizer isto não é ser de extrema-direita, é ter decência”, acrescentou.

Questionado sobre se dizer isso não era, pelo menos, adotar um discurso alarmista, tendo em conta que Portugal aparece sempre no topo dos rankings no que à segurança diz respeito, o candidato do CDS limitou-se a dizer que isso se deve precisamente às forças de segurança portuguesa e, como tal, o Governo e os partidos que o apoiam deviam “estar gratos por isso”, em vez de “apoucar” essas mesmas forças de segurança. O tema veio para ficar e, saindo do distrito de Leiria, a caravana centrista segue para Lisboa, onde vai ter uma reunião com o comando da divisão da PSP de Sintra.

Fonte: Observador

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