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Aliança. Debates com americanos e um abraço de Negrão

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Paulo Sande, o cabeça de lista do Aliança às europeias, teve uma manhã de campanha a 100%, entre panfletos e telefonemas ao país real. Recebeu mais atenção de turistas não europeus e cruzou-se com o líder parlamentar do PSD.

São 9h10 da manhã quando um dos três hinos do Aliança se ouve pela primeira vez no Cais do Sodré, dando as boas vindas às pessoas que acabaram de fazer a travessia de barco desde a Margem Sul. Paulo Sande, o cabeça de lista às eleições europeias do partido fundado por Santana Lopes, começa a cumprimentar – “Bom dia, como está?” – todos aqueles que, em passo apressado, vão entrando na estação; muitos cumprimentam-no de volta, mas poucos param para ouvir as ideias do candidato. Ao Expresso, Sande explica que é normal: “É uma hora complicada, as pessoas vão trabalhar.” Confessa não ser experiente nas lides da política – e muito menos em campanhas eleitorais – mas mostra-se bem disposto e recuperado do acidente de viação que sofreu na semana passada. Santana Lopes ficou em pior estado, mas a equipa do Aliança ali presente tem esperança que ainda possa participar nesta última semana de campanha.

Paulo Sande queixa-se de a campanha estar a ser “mais do mesmo”: no último debate na RTP, viu “os candidatos a insultarem-se uns aos outros” e pouca discussão sobre a União Europeia, “um projecto extraordinário” que conhece bem e que “não sobrevive sem coesão.” E a coesão começa cá dentro – “o país está profundamente dividido, o Porto queixa-se de Lisboa, Braga queixa-se do Porto, etc. etc..” – por isso, defende a ideia de uma agência da UE no Porto, como medida simbólica que possa ajudar a unir o país. Além disso, Sande sublinha que “não podemos exigir que a Europa nos ajude se não dermos o exemplo internamente.”

Como se faz isso? Para começar, ajudaria que o Parlamento nacional melhorasse nos timmings e na forma como trata e debate as propostas vindas da Europa, ”pois só assim as pessoas poderão estar informadas e envolver-se nas questões europeias”. “Não podemos ser radicais, nada se resolve com radicalismos.” Um exemplo? “Mutualizar a dívida é uma utopia.” O mais importante, diz Sande, é o equilíbrio, apesar de admitir: “Devo viver na estratosfera, porque não vejo nada disto a ser discutido.” Refere-se à proposta de campanha de uma macrorregião ibérica, que substitua a Convenção de Albufeira e permita a Portugal e Espanha coordenarem-se melhor em questões ambientais – até porque o ambiente “vai marcar o nosso tempo”.

Entre utopias e realidades, a presença cordata de Sande é substituída pela atitude enérgica de Daniela Antão, número quatro da lista às Europeias, que à porta da estação pára as pessoas para lhes oferecer panfletos e esclarecer dúvidas durante o tempo que for preciso. A ambição de Paulo Sande não chega para eleger Daniela Antão, mas vai além da última sondagem que dava ao Aliança 3% e um lugar no Parlamento Europeu: “Tenho a certeza que vamos surpreender, a Maria João [Moreira, 2ª da lista] vai ser eleita, estamos a trabalhar muito bem no Porto, tenho muita confiança no Porto.”

Mas o Porto estava longe, e à comitiva do Aliança restava-lhe voltar à base, à sede do partido na Avenida da República, para sessões de chamadas telefónicas com associações e empresas de vários pontos do país que conheceram nos últimos meses, na estrada. O ritmo é de campanha. A equipa vai explicando aos jornalistas o que faz a pessoa a que Sande vai ligar a seguir. A conversa é sempre num tom amigável: Sande diz que o Aliança não se esqueceu dos problemas levantados nas visitas do partido ao terreno, quer manter o contacto, está à disposição se for necessário alguma coisa. “As pessoas ficam surpreendidas quando ligamos, não estão à espera…”, diz o candidato com um sorriso, prometendo que esta será uma prática para fazer sempre, e não só durante as campanhas: “Temos de prestar contas” às pessoas.

SELFIES E DEBATES AO SOL

Prestadas todas as contas por telefone, o cabeça de lista do partido santanista tem a oportunidade de explicar todas as qualidades da Europa… a cidadãos não europeus. A comitiva do Aliança mobiliza-se no jardim D. Luiz, em frente ao cartaz do cabeça de lista (perto do Mercado da Ribeira, em Lisboa). A ideia chama-se “Sai do Cartaz”; o objectivo é que os eleitores que ali passem reparem no cartaz e no seu protagonista ali em carne e osso, e parem para tirar uma selfie para as redes sociais. Mas os cidadãos portugueses agradecem: não têm tempo, os jovens “não estão muito por dentro das eleições”, e quem vai almoçar não tem nada para perguntar ao candidato. A falta de interesse dos eleitores é compensada pela curiosidade dos turistas – muitos americanos – que tiram alguns minutos para debater com Paulo Sande sobre o continente onde não vivem.

Na recta final da iniciativa, já com todos a pensar no almoço, eis que surge um transeunte especial na 24 de julho: Fernando Negrão, líder parlamentar do PSD, que assim que cumprimenta Paulo Sande certamente agradece nenhuma câmera estar presente. Muitos abraços e sorrisos, claro, mas assim que o cabeça de lista convida Negrão para uma selfie por baixo do cartaz do Aliança, este recusa desajeitadamente e dispara dali para fora. Paulo Sande mantêm o sorriso aberto, não se deixa abalar, quer continuar a discutir a Europa: afinal, a estrutura do Aliança já está no terreno desde fevereiro, estão cansados mas confiantes, e já aprenderam que o voto se conquista um a um.

Fonte: Expresso

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