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Que Europa?

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É sem dúvida uma excelente contribuição o livro de Bruno Ferreira da Costa “Quo vadis Europa”, e o título é particularmente feliz.

A Europa está de facto numa encruzilhada, e são incontáveis os problemas de difícil resolução, desde os económicos aos sociais, passando pelos políticos.

Parece haver uma constante tensão pelas assimetrias existentes entre os países e dentro das próprias sociedades, e ao mesmo tempo entre as diversas visões do que deve ser a União Europeia (ou seja, o que deve ser a solução para os problemas).

E aí há de tudo: desde os que acham que se devia acabar com a UE aos que acham que se devia acabar com os países, com todos as opções intermédias.

A crise na UE é uma crise de identidade. Para se ir a algum lado, é necessário saber o ponto de partida, a história que conduziu ao ponto onde estamos, os valores que balizam o percurso, além de determinar o destino.

Talvez se devesse escrever um outro livro, entitulado “Europa, unde venis?” [Europa, donde vens?].

É nas suas origens e na sua história que a Europa deve encontrar a sua razão de ser, os valores que defende, o que a une e o que a diferencia de outros.

E nesta análise é fácil perceber que os fundamentos da identidade europeia estão numa síntese da cultura greco-romana com a cultura judeo-cristã.

Essa identidade foi sendo construída ao longo dos séculos, com avanços (como quando se aboliu a escravatura) e com recuos (como os regimes totalitários do século XX).

Portanto, se se quer unir os diversos países sem dissolver as suas identidades, é necessário procurar elementos comuns, princípios basilares que permitam construir a unidade numa ordem superior.

Podemos ver que a identidade da Europa tem um princípio fundamental, que deve ser valorizado acima de tudo, prévio à própria lei: a dignidade da pessoa humana.

Por isso é particularmente feliz que o primeiro dos princípios consignados nos estatutos da Aliança seja precisamente esse.

Não é assim noutras culturas.

De facto, os princípios da Aliança dão um bom resumo do que são os fundamentos da identidade europeia: o respeito pelo pluralismo, a liberdade de educação, a liberdade religiosa, etc.

A busca desta identidade europeia comum parece ter cedido lugar, nas discussões sobre a UE, a uma busca quase exclusiva do interesse económico, a procura da auto-afirmação como potência económica.

Ora isso é um factor de união débil. E o resultado está à vista.

A Europa precisa de re-encontrar a sua identidade, “rejeitando uma visão utilitarista, materialista ou egoísta do ser humano” (Art. 2,1g, Estatutos da Aliança).

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