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J.A. – Juventude Alienada

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Entre os jovens a abstenção nas eleições europeias de 2014 foi de 81%.

A realidade é uma: há um desinteresse descomunal da parte dos jovens pela política. A questão que atormenta muitos é: porquê?

Entre os meus amigos, a minha vida política ativa causa estranheza. O que me venho a aperceber é que os jovens não percebem patavina de política. Quando, numa tentativa de iniciar uma conversa mais política, lhes pergunto se sabem a diferença entre esquerda e direita, vejo-me quase instantaneamente a dizer que ser liberal e conservador não é o mesmo de ser de esquerda ou direita.

Há várias razões para este fenómeno e nem todas passam por culpar os jovens, como é habitual. Mas quais são?

A razão que para mim é imperativa é o desinteresse da parte dos partidos políticos pelas camadas mais jovens. Os partidos tornaram-se rotineiros, viciosos, focados no poder e esqueceram-se que lutar por ideais implica partilhá-los. Olham para dentro, em vez de para fora. Olham para os anciões do partido, em vez de para o sangue novo. Por mais ações de cosmética que estes partidos possam realizar, mudando os seus lemas, defendo causas mediáticas, a verdade é esta, “A realidade, como o inevitável, impõe-se.” (Amor e ódio, Yvonne A. Pereira). E finalmente nos estamos a aperceber desta imposição, da alienação destes jovens. E começa a ser tópico de discussão, normalmente, entre os mais velhos, que rapidamente sacodem as culpas, atirando-as para os que não estão presentes para se justificar, os jovens, que com as costas largas as arcam.

A verdade é que, atualmente, a opinião pública dos partidos políticos é bastante negativa e as gerações mais velhas transmitem muito claramente essa ideia. Não é raro, numa conversa sobre política, ouvir comentários do género: “São todos uns corruptos”, “Não vou votar em ninguém”, “Interesseiros”… e outros até bastante mais insultuosos. Perante esta situação, é criminoso culpar os jovens pelo seu desinteresse. Os jovens aprendem com os mais velhos e através de conversas como esta, concluem que “os políticos são uns gatunos” e não merecem a sua atenção.

Esta deve ser, e é, uma das bandeiras da Aliança: a luta pela integração dos mais jovens na política. Partilhemos os nossos ideais! Partilhemos as nossas convicções! Chamemos os mais jovens para que possam dar o seu muito válido contributo. E mais que tudo lembremo-nos que este é um problema social, um que tem solução, mas que necessita de ação. Numa era de informação, por vezes a mais importante é negligenciada. E esta informação é muito importante! O nosso futuro depende de escolhas políticas e se não formos nós, jovens, a escolher, ficaremos presos a decisões que foram tomadas em nosso nome. É preciso mobilizar os jovens, fornecer-lhes plataformas que os informem, que os cativem, que os motivem e que lhes deem esperança. Para isso, também, é que a Aliança nasceu. Sá Carneiro diria “Política sem riscos é uma chatice”, eu diria que política sem esperança é também ela uma chatice.