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Queremos o interior do país deserto em 2050?

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Se a resposta é não, temos de agir de imediato. Vamos com décadas de atraso!

O que leva ao encerramento de serviços no interior do país?

Sejam postos da GNR, dependências da CGD, Tribunais, Maternidades ou agências dos CTT, a justificação é invariavelmente a mesma,

estes não são rentáveis por falta de população. Estamos a falar dos chamados territórios de baixa densidade.

E lá vamos, década após década, fechando serviços no interior.

Deverão ser apenas os critérios de rentabilidade económica desses serviços a determinar a sua viabilidade?

Ou, pelo contrário, o país deverá ter políticas de coesão territorial sustentadas de forma solidária?

Analisemos o paradigma atual: Se não é rentável encerra!

Logo à partida confrontamo-nos com a tremenda injustiça de ver as populações perder o acesso a serviços essenciais.

Os mais jovens, sem expetativas de emprego minimamente satisfatório deslocam-se para os grandes centros urbanos, deixando esses territórios cada vez mais despovoados, apenas habitados por idosos condenados a um progressivo isolamento e abandono.

Com menos habitantes, mais serviços encerram.

De serviço em serviço, um a um, todos serão encerrados.

Neste cenário é bastante previsível o que o futuro a breve prazo nos trará: Um interior inóspito, sem gente e sem atividade económica. Um verdadeiro deserto, totalmente desvalorizado, que nada produz e onde ninguém habita.

Analisemos agora o que um estado inteligente e solidário deve fazer.

Se temos pouca população no interior deveríamos criar fortes incentivos para a sua fixação.

Primeiro os serviços deficitários deveriam ser suportados pelo estado de forma solidária em prol da coesão nacional.

É imperativo um choque fiscal no interior!

A isenção total do IRC induzirá uma maior atração de investimento e consequente criação de emprego.

A redução significativa do IRS permitirá às famílias permanecer ou fixar-se no interior.

Desta forma teremos mais e melhores empresas e os seus habitantes verão o seu nível de vida sofrer um importante incremento.

Como regiões menos desenvolvidas deverão ter isenção total do pagamento das ex-scuts (na sua área) e não como hoje acontece pagarem valores exorbitantes, muito superiores ao valor pago nas auto-estradas do litoral.

Desta forma, com o aumento populacional, proveniente destas medidas, os serviços que hoje se encerram por falta de rentabilidade passariam a ser rentáveis e não seria já necessário que o estado os mantivesse de forma deficitária.

O interior passaria a gerar valor acrescentado para o país e a contribuir de forma decisiva para o desenvolvimento geral de Portugal.

Enquanto os governantes continuarem a falar da necessidade de criar medidas para travar a desertificação ao mesmo tempo que encerram serviços cruciais, o interior do país jamais se desenvolverá.

É preciso passar dos atos a ações concretas e urgentes!

O interior não pode continuar à espera de promessas nunca cumpridas e sempre adiadas.

O interior não pode continuar a ser devastado populacionalmente por políticas profundamente erradas e potenciadoras de terríveis desigualdades.

O Interior precisa de ação! Precisa de medidas corajosas! Precisa de inovação! Precisa de gente!

E quando precisa? Já! De imediato e mesmo sendo já e de imediato será com mais de 40 anos de atraso!