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Brisa acusa credores de lhe quererem “extorquir dinheiro”

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O grupo liderado por Vasco de Mello diz que a ação interposta em tribunal pelos fundos credores da Douro Litoral exigindo-lhe 868,9 milhões de euros “estravaza os seus direitos” e “não tem fundamento”.

A Brisa considera os fundos Strategic Value Partners e Cross Ocean, que interpuseram no Tribunal de Cascais uma ação para lhe exigirem  o pagamento de 868,9 milhões de euros da dívida da Auto-estradas do Douro Litoral querem “extorquir dinheiro”.

“Finalmente, os fundos credores da Douro Litoral tornam públicas as suas verdadeiras intenções e a razão das negociações terem sido sistematicamente quebradas por eles”, disse fonte oficial do grupo liderado por Vasco de Mello.

Para a mesma fonte, “o que os fundos querem na verdade é extorquir dinheiro à Brisa, e estravazar os seus direitos quanto à Douro Litoral, em desrespeito do termos contratuais do ‘project finance’”.

“Fica também claro para a opinião pública a razão da Brisa ter reagido de uma forma firme a estes fundos”,  disse ainda, acrescentando  que “esta ação não tem qualquer fundamento”.

Os fundos Strategic Value Partners e Cross Ocean, credores da Auto-estradas do Douro Litoral (AEDL), que têm estado a disputar com a Brisa aquela concessão que está em incumprimento desde 2014, avançaram com uma ação em tribunal exigindo ao grupo liderado por Vasco de Mello – que entendem que é quem tem a propriedade e o controlo da concessionária – o pagamento de 868,9 milhões de euros.

A ação deu entrada no passado dia 10 de abril, sendo os seus autores entidades ligadas aos fundos Strategic Value Partners e Cross Ocean. O Deutsche Bank e o JP Morgan, que são também credores da AEDL não participam na ação.

Depois de falhadas as tentativas de acordo para recuperarem parte da dívida de 1.010 milhões de euros da Douro Litoral, que adquiririam aos bancos comerciais portugueses com um desconto de quase 80%, os credores exercerem em janeiro passado o direito de “step in” e nomearam novos órgãos sociais. No entanto, no início de abril, a Brisa e o grupo de construtoras que integra a estrutura acionista da AEDL repuseram em funções os anteriores membros do conselho de administração desta concessionária.

Os credores acusaram a Brisa de tomar uma série de ações ilegais para continuar a liderar a AEDL, tendo inclusivamente acusado a empresa de ter fornecido documentação falsa no registo comercial para  retirar a administração que tinham nomeado e voltar a indicar os anteriores gestores.  Os fundos têm também vindo a recordar que em causa está uma dívida de mil milhões de euros, pela qual responsabilizam a AEDL  a Brisa. A empresa liderada por Vasco de Mello, no entanto, veio já garantir que e  “a dívida reclamada pelos credores, no âmbito do contrato de project finance, é uma dívida da responsabilidade exclusiva da AEDL”, assegurando que  ela própria “não tem qualquer dívida pendente relacionada com esta concessão”.

Fonte: Jornal de Negócios