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A olhar para o meu País

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Com quase 50 anos de existência, pude viver o 25 de Abril de forma próxima, diria até quase pessoal, pois ainda garoto presenciei muitas reuniões onde se falavam de valores maiores que o poder pessoal ou partidário.

Lembro-me de perguntar ao sr. meu pai, quem eram aquelas pessoas que falavam de uma coisa chamada valores e num tom descontente, com indignação e até alguma tristeza no rumo do que diziam ser o pais mais promissor da Europa.

Respondia-me sempre no mesmo tom apaziguador, dizendo: “ ….são pessoas amigas do pai e estamos todos preocupados com o vosso futuro em Portugal…e valores filho são as atitudes e gestos que fazem as pessoas boas e as menos boas…” claro que estas simples palavras, acalmavam a minha inquietude e ignorância própria da tenra idade.

Dias depois acontece o 25 de Abril e passam pela nossa rua, os na altura chamados Chaimites da Escola Prática de Cavalaria assim como outros carros de combate, onde o Capitão Salgueiro Maia liderava, fazendo estremecer os alicerces da casa, colocando-me a sra. minha mãe debaixo da sua cama por precaução.

Os anos seguintes foram intensos para Portugal, muita atividade politica, muitos partidos, muitos políticos, mas a sensação já nessa altura era que os valores maiores ficavam sempre na sombra dos valores ideológicos políticos ou de objetivos estratégicos.

A exceção foi protagonizada por Francisco Sá Carneiro, que num tom apaziguador, maior que as palavras voltou a colocar os valores de uma nação como a importância maior na discussão politica, elevando assim o debate.

Partilho este pedaço temporal da minha infância, para afirmar que os valores de outrora são os mesmos de hoje, porque os valores não se mutam, não sofrem com a transformação digital, eles são basilares, constantes nos comportamentos diários da pessoa, tendo esta importância são eles os valores que em rigor definem as diferenças no carácter humano.

Hoje como outrora, juntar pessoas de valores maiores, assume uma vital importância na recuperação de um Pais que foi mais uma vez deixado para o discurso estratégico, oportunista e de promoção pessoal ou partidária.

Urge elevar o tom da nação, urge elevar a discussão politica aos valores maiores, urge não permitir a redução de Portugal a um mero pedaço ibérico onde se promovem políticos para carreira internacional, independentemente do que por cá fizeram.

Não consigo compreender que algumas forças politicas do alegado centro direita ainda estejam preocupadas com o seu status quo e não por um PORTUGAL DE FACTO ÀS DIREITAS.

Não chega já de tanta evidência do fracasso???….

Miguel Barreiros